Lucros do BNU em Macau caem 1,3% na primeira metade de 2026

Macau, China, 12 aug 2026 (Lusa) — O Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau anunciou hoje lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas (24,2 milhões de euros) na primeira metade do ano, uma queda homóloga de 1,3%.

Ainda assim, os resultados divulgados hoje mostram uma melhoria face ao primeiro trimestre, período em que o lucro da instituição financeira tinha recuado 17% face a janeiro-março de 2025.

O banco apontou como principal razão para a melhoria no segundo trimestre um aumento de 0,9%, para 434,2 milhões de patacas (46,6 milhões de euros), na margem financeira líquida, a diferença entre receitas provenientes de empréstimos e juros pagos por depósitos.

“Este desempenho refletiu o crescimento do volume de negócios, apesar do impacto da redução das taxas de juro na rentabilidade dos ativos”, referiu o BNU, num comunicado.

Isto depois da Autoridade Monetária de Macau ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de dezembro, acompanhando a Reserva Federal norte-americana.

Pelo contrário, as receitas de serviços e comissões cobradas pelo banco caíram 2,3%, para 44,5 milhões de patacas (4,77 milhões de euros) e a margem financeira complementar foi afetada “pela redução dos resultados de operações financeiras”.

O BNU indicou ainda que contabilizou perdas de 14,7 milhões de patacas (1,58 milhões de euros) com crédito malparado e aplicações financeiras, menos 62% do que no mesmo período de 2025.

Esta redução “reflete a contínua resiliência da qualidade dos ativos, (…) em linha com a abordagem prudente do banco na gestão do risco”, sublinhou a instituição.

O BNU registou em 2025 uma queda de 26,3% nos lucros líquidos, o segundo ano consecutivo em que os proveitos da instituição financeira encolheram, depois de uma diminuição de 0,4% nos lucros em 2024.

O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, emissor de moeda na região administrativa especial da China.

De acordo com dados oficiais, os bancos de Macau obtiveram lucros de 7,34 mil milhões de patacas (769 milhões de euros) em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7%).

O crédito malparado caiu 11,6% ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas (5,2 mil milhões de euros). Foi a primeira queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013.

Os empréstimos vencidos representavam 4,9% dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.

Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

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