
Lisboa, 22 mai 2026 (Lusa) — O lucro do Crédito Agrícola baixou 26,1% no primeiro trimestre, em termos homólogos, para 73,8 milhões de euros, impactado pela redução da margem financeira e pelo reforço de imparidades e provisões, anunciou hoje o grupo.
Num comunicado hoje divulgado sobre os resultados acumulados entre janeiro e março deste ano, o Crédito Agrícola refere que a margem financeira – a diferença entre os juros cobrados nos créditos e os juros pagos nos depósitos — recuou 15,2 milhões de euros, ou 8,9%, para 155,6 milhões de euros.
Apesar da subida de 12,8% no volume das comissões líquidas, para 39,9 milhões de euros, o produto bancário central do Crédito Agrícola perdeu 17,4 milhões de euros face aos primeiros três meses do ano passado, situando-se em 213,5 milhões de euros.
Ao mesmo tempo, o banco, que no primeiro trimestre de 2025 tinha revertido 12,2 milhões de euros em imparidades e provisões, reforçou esta categoria este ano com cerca de 700 mil euros.
Para a redução dos lucros, também contribuíram os menores resultados de contratos de seguros, que baixaram 27,3% para 18 milhões de euros, “refletido o impacto negativo, na CA Seguros, do aumento dos custos com sinistros associados às intempéries ocorridas no primeiro trimestre de 2026, nomeadamente a tempestade Kirstin”.
A carteira de crédito bruta a clientes cresceu 8,9% e fechou, em março, em 14.112 milhões de euros, a mesma variação verificada nos depósitos dos clientes, que alcançaram os 23.951 milhões de euros.
O capital próprio do banco aumentou 8,8%, para 3.203 milhões de euros.
No final de março, o Crédito Agrícola contava com 4.450 trabalhadores, mais 101 que à mesma data do ano passado, apesar de ter reduzido o seu número de agências em quatro, para 612.
Os custos de estrutura cresceram 5,7%, para 120,3 milhões de euros, sobretudo devido ao aumento dos custos gerais administrativos (12,8%, mais 4,2 milhões de euros) e com pessoal (2,7%, mais 1,9 milhões de euros).
Citado em comunicado, o presidente do grupo, Sérgio Raposo Frade, considerou que os resultados demonstraram “a resiliência do seu modelo cooperativo e a solidez da sua base financeira, num contexto económico e geopolítico exigente e marcado por múltiplos desafios”.
“Os resultados alcançados refletem uma gestão prudente e consistente, assente no crescimento sustentável da atividade, na qualidade dos ativos e numa rigorosa disciplina financeira”, disse.
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