LÍDERES DA UE DEBATEM HOJE CRISE NA BIELORRÚSSIA EM REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA

Bruxelas, 19 ago 2020 (Lusa) — Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia celebram hoje uma cimeira por videoconferência para discutir a resposta à crise que se vive na Bielorrússia na sequência das eleições presidenciais de 09 de agosto, cujos resultados rejeitam.

Depois de os chefes de diplomacia da UE já terem celebrado também uma reunião extraordinária por videoconferência, na última sexta-feira, decidindo então desencadear novas sanções contra os responsáveis pela repressão violenta das manifestações a contestar a recondução de Alexander Lukashenko e pela “falsificação” do ato eleitoral, a situação na Bielorrússia será agora discutida ao nível dos líderes dos 27.

Segundo fontes europeias, os recentes desenvolvimentos justificam que a situação seja discutida ao nível dos chefes de Estado e de Governo, que deverão “enviar uma importante mensagem de solidariedade ao povo da Bielorrússia”, razão pela qual o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, decidiu na segunda-feira convocar esta reunião.

Além de sublinhar a ideia de que o povo da Bielorrússia tem o direito de determinar o seu futuro e escolher os seus líderes de forma livre, defendendo a celebração de novas eleições livres e transparentes, o Conselho Europeu deverá também deixar uma advertência contra qualquer interferência externa, numa mensagem destinada a Moscovo.

A videoconferência de líderes da UE tem início às 11:00 de Lisboa, 12:00 de Bruxelas,

Há mais de uma semana que a Bielorrússia é palco de uma onda de protestos contra a reeleição do Presidente, Alexander Lukashenko, que muitos, incluindo a UE, consideram fraudulenta.

No poder há 26 anos, Alexander Lukashenko obteve, segundo a Comissão Eleitoral Central do país, mais de 80% dos votos no dia 09 de agosto, conquistando o seu sexto mandato.

Desde então, mais de 6.700 pessoas foram presas durante ações de protesto e centenas dos já libertados relataram cenas de tortura sofridas na prisão.

No domingo, realizou-se um dos maiores protestos da oposição na história da Bielorrússia, com várias dezenas de milhares de pessoas em Minsk para exigir a saída do chefe de Estado, mas o Presidente já rejeitou a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais.

A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, que está refugiada na Lituânia, disse na segunda-feira que estava pronta para liderar o país, referindo que não “queria ser política”, mas que “o destino decretou que estaria na linha da frente diante da arbitrariedade e da injustiça”.

Svetlana Tikhanovskaya referiu-se à votação como uma fraude, depois de a Comissão Eleitoral lhe ter atribuído 10% dos votos.

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