
Teerão, 04 nov 2026 (Lusa) — O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou hoje ser um erro acreditar que as mudanças políticas nos Estados Unidos possam pôr fim à sua hostilidade em relação à República Islâmica.
As palavras do aiatola surgem na sequência da vitória do Partido Democrata nas eleições intercalares de terça-feira, resultado que fez com que o republicano Donald Trump, cujo mandato como Presidente dos Estados Unidos termina dentro de dois anos, perdesse o controlo das principais câmaras do Congresso.
“Se ainda há quem mantenha alguma esperança numa mudança de comportamento ou nas alternâncias entre partidos e fações no seio do sistema de dominação, ou acredite que, através de concessões aos Estados Unidos, pode levar o país a abandonar a sua inimizade em relação à nação iraniana, está profundamente enganado”, afirmou Khamenei.
“Aqueles que ainda nutrem a mínima esperança de ver o comportamento do sistema hegemónico mudar em resultado de mudanças partidárias […] estão redondamente enganados”, insistiu.
Numa mensagem por ocasião do 47.º aniversário da tomada da embaixada norte-americana em Teerão, o líder supremo iraniano sustentou que o objetivo de Washington é conseguir a capitulação do Irão e advertiu contra quaisquer concessões à potência norte-americana.
O guia supremo iraniano advertiu também que, se a guerra recomeçar, será “muito mais ampla”.
“Se tais agressões voltarem a ocorrer, a guerra será muito mais ampla”, declarou Khamenei numa mensagem escrita publicada no seu site oficial. O líder supremo ainda não apareceu em público desde que assumiu o poder, em março.
Segundo os dados provisórios das intercalares norte-americanas, os democratas tinham assegurado pelo menos 54 lugares no Senado e 225 na Câmara dos Representantes, ultrapassando as maiorias necessárias em ambas as câmaras.
A conquista do Senado constituiu a maior surpresa da noite eleitoral, depois de os democratas retirarem aos republicanos pelo menos sete lugares, incluindo em estados tradicionalmente conservadores como Texas, Kansas, Carolina do Sul, Ohio e Iowa.
Os resultados representam uma mudança profunda no equilíbrio político em Washington e obrigarão Trump a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os últimos dois anos do seu mandato presidencial.
JSD (PNG/RJP) // ACC
Lusa/Fim



