Líder da oposição moçambicana destaca Dias e Guambe como “heróis” da luta eleitoral

Maputo, 19 out 2026 (Lusa) – O líder do partido moçambicano Podemos classificou hoje Elvino Dias e Paulo Guambe, apoiantes do político Venâncio Mondlane, assassinados há dois anos, como “verdadeiros heróis” da luta pela verdade eleitoral, defendendo reformas para travar a violência eleitoral.

Numa mensagem divulgada hoje, na passagem do segundo aniversário do crime, que continua por esclarecer, o presidente do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), Albino Forquilha, considerou Elvino Dias e Paulo Guambe como exemplos do último processo eleitoral no país.

“Honramos estas vidas e de mais de 400 moçambicanos mortos, seguindo a verdade eleitoral”, afirmou, reiterando que os mesmos são os “verdadeiros heróis” do país.

Elvino Dias, assessor jurídico de Venâncio Mondlane, e Paulo Guambe, mandatário nacional do Podemos, partido dirigido por Albino Forquilha, que lidera a oposição moçambicana e que apoiou a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane nas eleições gerais de 2024 – que nunca reconheceu os resultados oficiais -, foram mortos a tiro em Maputo, a 19 de outubro daquele ano.

O crime ocorreu num contexto de forte contestação dos resultados eleitorais e continua sem um esclarecimento judicial definitivo.

O líder do Podemos defendeu que a homenagem às vítimas deve incluir os familiares dos mortos e os cidadãos que continuam a viver com consequências da violência registada após as eleições gerais de 2024: “Hoje prestamos uma singela homenagem a todos moçambicanos cujo sofrimento ainda mantêm, tanto para quem está sem os seus entes queridos mas também para aqueles que os têm com alguma sequela das últimas eleições gerais”.

Forquilha reiterou ainda a necessidade de reformas do sistema eleitoral e de um diálogo nacional inclusivo para evitar novos episódios de violência política.

“A nossa luta é pela mudança deste sistema, principalmente eleitoral, para que seja travada a violência, as mortes e tudo de mau que acontece após realização do processo”, disse.

Também hoje, a Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos (RMDDH) exigiu esclarecimentos sobre a evolução das investigações, manifestando “profunda preocupação com a ausência de um esclarecimento judicial conclusivo publicamente conhecido”.

Em comunicado, a organização considerou que as diferentes explicações avançadas pelas autoridades sobre as motivações do crime levantam dúvidas sobre a consistência das linhas de investigação seguidas. A RMDDH recorda que, numa fase inicial, a Polícia da República de Moçambique (PRM) associou o homicídio a alegadas motivações passionais, enquanto em abril deste ano o procurador-geral da República, Américo Letela, relacionou o caso com um processo envolvendo o falecido Nini Satar.

“A passagem de uma alegada motivação passional para uma hipótese relacionada com outro processo criminal exige que as autoridades apresentem resultados concretos e esclareçam os elementos probatórios que sustentam cada linha de investigação”, defendeu a organização.

Segundo a RMDDH, o contexto em que ocorreu o duplo homicídio torna igualmente indispensável o apuramento de uma eventual motivação política.

“O assassinato ocorreu num período de elevada tensão pós-eleitoral, quando Elvino Dias desempenhava um papel de destaque na contestação dos resultados eleitorais e na defesa dos interesses jurídicos de Venâncio Mondlane”, refere-se no comunicado.

A organização apelou ainda à Procuradoria-Geral da República para esclarecer as circunstâncias do crime, apresentar informação pública sobre a evolução do processo e assegurar “o apuramento de todas as responsabilidades criminais, incluindo as de eventuais mandantes e facilitadores”.

Ao duplo homicídio, ocorrido no contexto da contestação aos resultados das eleições gerais de 2024 em Moçambique, seguiram-se cerca de cinco meses de protestos, que provocaram mais de 400 mortos em confrontos com a polícia, além de episódios de destruição e saques de património público e privado.

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