
Beirute, 12 mar 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros libanês convocou hoje o encarregado de negócios iraniano, um dia depois do movimento xiita Hezbollah e a Guarda Revolucionária do Irão terem conduzido um ataque “conjunto” contra Israel.
Yusef Ragi afirmou que o encarregado de negócios iraniano foi convocado à sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros e confirmou que deu instruções para que “seja transmitida a firme objeção do Líbano face a incidentes e declarações que constituem uma clara violação da soberania” do país.
“Isto constitui um incumprimento das decisões do nosso Governo”, afirmou, de acordo com uma mensagem divulgada nas redes sociais.
Ragi criticou repetidamente o Hezbollah e acusou anteriormente Teerão de intervir nos assuntos libaneses ao apoiar o movimento xiita e condenou ainda “qualquer ingerência nos assuntos internos do Líbano”.
Na quarta-feira, o Hezbollah disparou, em coordenação com o Irão, 200 projéteis e 20 drones no norte de Israel, segundo o porta-voz do exército israelita, Nadav Shoshani.
“Foi o maior bombardeamento do Hezbollah (…). Utilizou uma combinação de ‘rockets’, veículos aéreos não tripulados e diferentes tipos de mísseis, como mísseis antitanque e lança-foguetes”, indicou Shoshani à imprensa estrangeira.
Na quarta-feira, o representante libanês na ONU afirmou perante o Conselho de Segurança do organismo que o país está “preso numa guerra que não escolheu”, admitindo disponibilidade para “negociações diretas com Israel sob os auspícios internacionais” para estabelecer “uma trégua completa” e cessar a agressão israelita.
Ahmad Arafa denunciou a “grave situação humanitária” no Líbano diante da escalada de violência entre Israel e o Hezbollah.
“Estamos presos numa guerra que não escolhemos. Os ataques israelitas continuam a desrespeitar as leis da guerra num momento em que o Hezbollah foi declarado ilegal pelas nossas autoridades nacionais”, disse o embaixador libanês nas Nações Unidas.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional em 02 de março, ao atacar Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva israelo-americana, em 28 de fevereiro.
O Governo libanês anunciou na semana passada a proibição das atividades militares do Hezbollah, bem como de qualquer atividade da Guarda Revolucionária no seu território.
O Líbano também decidiu impor vistos para a entrada de iranianos no país.
Uma centena de iranianos, incluindo diplomatas, foram retirados de Beirute no domingo a bordo de um avião russo, revelou à agência de notícias France-Presse (AFP) um responsável libanês que pediu para permanecer anónimo.
Por sua vez, a missão iraniana na ONU acusou Israel de ter assassinado quatro dos seus diplomatas em Beirute durante um ataque no domingo.
Segundo dados oficiais, 687 pessoas morreram, entre as quais 98 crianças, e 1.774 ficaram feridas no Líbano desde o início do mês, a que se somam cerca de 800 mil deslocados.
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