Lavrov elogia Trump por considerar exigências russas e alerta para obstrução europeia

Moscovo, 18 mai 2026 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, elogiou hoje a capacidade do Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, para compreender as motivações de Moscovo na sua guerra contra a Ucrânia.

Alertou também de que Kiev e os seus aliados europeus tudo farão para impedir qualquer acordo com Washington.

“Ao contrário dos europeus, [os Estados Unidos] não só compreendem que o diálogo é essencial em qualquer situação (…) como também atenderam ao nosso pedido para investigar as causas profundas da crise ucraniana”, declarou Lavrov numa conferência de imprensa, sublinhando que esta relação positiva se refletiu nos acordos alcançados em agosto de 2025 na cimeira de Anchorage, no Alasca.

“Devemos reconhecer o mérito do Presidente Trump e dos seus negociadores”, afirmou o chefe da diplomacia russa, apontando a Ucrânia e os seus parceiros europeus como os únicos obstáculos que impedem a aplicação dos planos propostos pelos Estados Unidos na cimeira do Alasca, segundo a agência Interfax.

Do mesmo modo, Lavrov acusou também alguns setores nos Estados Unidos de pressionarem para a imposição de sanções à economia russa, “refutando a ideia de que esta é uma guerra” do anterior Governo norte-americano, do presidente democrata Joe Biden (2021-2025).

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

Estas condições para solucionar o conflito — constantes do plano de paz apresentado por Donald Trump – são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.

Para a cimeira entre Trump e o homólogo russo, Vladimir Putin, realizada numa base militar do Alasca em agosto de 2025, havia grandes expectativas sobre um cessar-fogo na Ucrânia, mas tal não foi alcançado e os dois chefes de Estado abandonaram o local após uma conferência de imprensa conjunta em que não foram anunciados quaisquer progressos nem foram permitidas perguntas.

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