
Nicósia, 24 abr 2026 (Lusa) — A alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Segurança, a estónia Kaja Kallas, alertou hoje para um “Irão mais perigoso” se eventuais negociações se centrarem apenas no seu programa nuclear.
“Se as negociações se concentrarem apenas em questões nucleares e não houver especialistas nucleares à mesa, chegaremos a um acordo mais fraco do que o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) e sem abordar os problemas na região, os programas de mísseis, o apoio do Irão a aliados e suas atividades híbridas e cibernéticas na Europa”, disse.
A chefe da diplomacia europeia falava à chegada para o segundo dia cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Nicósia.
“Portanto, acabaríamos com um Irão mais perigoso e, na verdade, estaríamos a fort-lo”, acrescentou.
Kallas indicou que os parceiros europeus planeiam levantar essa preocupação com os outros atores regionais envolvidos nas negociações, bem como transmitir que “essas questões devem ser abordadas” e que a Europa “pode ajudar” nas conversações.
Os líderes dos 27 estados-membros da UE e das instituições continentais reúnem-se hoje com convidados de Líbano, Egito, Síria, Jordânia e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), abordando esforços diplomáticos para alcançar a paz na região e na reabertura do estreito de Ormuz.
Kallas sublinhou que a liberdade de navegação “é inegociável” e insistiu que aquela importante passagem marítima “deve estar aberta sem quaisquer portagens”.
A chefe da diplomacia da UE também referiu que estar em cima da mesa o reforço de missões navais europeias navais no mar Vermelho e no oceano Índico – a Operação Áspides e a Operação Atalanta -, através de uma nova “coligação de voluntários”.
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