
Jerusalém, 11 out 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou hoje uma investigação e o julgamento dos participantes no documentário ‘NAZA’, que relata o massacre em massa de civis em Gaza através de testemunhos, por “crimes graves contra a segurança de Israel”.
De acordo com um comunicado publicado pelo gabinete de Netanyahu e citado pela agência espanhola EFE, “o filme constrói uma narrativa falsa, enganosa e tendenciosa que difama o Estado de Israel e as FDI (Forças de Defesa de Israel) a nível mundial, e que prejudica gravemente a imagem de Israel”.
Grande parte do documentário baseia-se em investigações realizadas desde 2023 pelo jornalista israelita Yuval Abraham, co-realizador do filme, e publicadas tanto na revista israelo-palestiniana +972 como no jornal britânico The Guardian, que também produz ‘NAZA’, e tem por base testemunhos de 24 militares e oficiais dos serviços secretos israelitas.
Nas investigações, várias fontes dos serviços secretos descrevem como Israel passou a autorizar, após 07 de outubro de 2023, a morte de dezenas de centenas de civis como “danos colaterais” em ataques contra altos responsáveis do Hamas.
Netanyahu acusou os participantes do filme de incorrerem em “crimes graves contra a segurança da informação, difamação penal e prejuízo aos interesses diplomáticos” do país.
‘NAZA’ deriva do acrónimo utilizado pelos serviços de inteligência de Israel para estimar o número de civis que poderiam morrer num ataque, por exemplo, ’20 NAZA’.
O documentário descreve a prática israelita de bombardear habitações palestinianas, com famílias inteiras no interior, assim que o pai — e alegado militante do Hamas — regressa a casa para dormir.
Descreve também a utilização de modelos de inteligência artificial que preveem — com base nos padrões das chamadas telefónicas e com uma margem de erro de 15% — a probabilidade de um habitante de Gaza ser ou não um militante, criando assim uma lista de possíveis alvos.
Os militares descritos no filme, sob condição de anonimato devido às represálias que poderiam sofrer, afirmam igualmente que o Exército bombardeou zonas sob ordem de evacuação de Gaza, sabendo que ainda ali se encontrava população civil.
O Exército israelita, por seu lado, sustenta que as suas normas proíbem atacar deliberadamente civis e obrigam os comandantes a adotar medidas para reduzir os danos à população civil, argumentando ainda que as decisões finais sobre os ataques e a avaliação do risco de vítimas civis cabem aos oficiais.
No dia 02 de outubro, o jornal britânico The Guardian defendeu a investigação e afirmou ter consultado, ao longo de três anos, mais de cem fontes com conhecimento dos sistemas militares israelitas utilizados na guerra, incluindo altos comandantes envolvidos na autorização de ataques.
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