
Teerão, 23 set 2025 (Lusa) — O líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, afirmou hoje que o Irão não cederá a pressões para abandonar o enriquecimento de urânio, um importante ponto de atrito com os países ocidentais.
“Nas últimas décadas, durante as quais conduzimos no Irão as nossas atividades nucleares, as pressões exercidas sobre o nosso país (…) foram consideráveis”, observou o líder iraniano num discurso à nação.
“Não cedemos e não cederemos (…) nesta questão, nem em qualquer outra”, sublinhou, a poucos dias de um possível regresso das sanções da ONU a Teerão, devido à ausência de acordo com os países europeus.
As declarações do líder supremo iraniano surgem no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Reino Unido, juntamente com a Alta Representante da União Europeia, Kaja Kallas, reuniram-se em Nova Iorque com o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, com quem concordaram em prosseguir as consultas sobre as sanções das Nações Unidas pela questão nuclear iraniana.
“Foram apresentadas algumas ideias e sugestões para a continuação do processo diplomático e foi decidido continuar as consultas com todas as partes envolvidas”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, num breve comunicado.
Uma votação realizada na sexta-feira na ONU, iniciada pela França, Reino Unido e Alemanha, aprovou o restabelecimento efetivo, a 28 de setembro, das sanções internacionais ao Irão, que tinham sido suspensas em 2015 com a conclusão de um acordo nuclear entre Teerão e várias potências (Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos, Rússia e China).
Os três países europeus e o Irão atribuem-se mutuamente a responsabilidade pelo fracasso das negociações.
A ‘luz verde’ do Conselho de Segurança da ONU para a reimposição das sanções à República Islâmica é uma decisão ainda reversível até domingo.
O programa nuclear iraniano há muito envenena as relações do Irão com os países ocidentais, principalmente os Estados Unidos, e Israel, seu inimigo figadal, que suspeitam que o Governo iraniano quer dotar-se da bomba atómica, o que Teerão nega veementemente, defendendo o seu direito a um programa nuclear civil energético.
Hoje, o ayatollah Khamenei reiterou que o Irão “não precisa de armas nucleares” e optou por “não as possuir”.
Segundo a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), o Irão é o único país sem armas nucleares a enriquecer urânio a um nível elevado (60%), próximo do limiar de 90% necessário para produzir uma bomba e muito acima do limite de 3,67% fixado pelo acordo de 2015.
O Irão e os Estados Unidos iniciaram na primavera negociações sobre o nuclear, mas estas estão num impasse desde junho, após um ataque surpresa de Israel, aliado dos Estados Unidos, a instalações nucleares em território iraniano.
Washington exigia que Teerão desistisse de proceder a qualquer grau de enriquecimento de urânio.
“É impossível negociar com um interlocutor como este (…), qualquer negociação com os Estados Unidos sobre a questão nuclear (…) está condenada ao fracasso”, afirmou Ali Khamenei, no poder desde 1989.
“Essa negociação não é benéfica, é, pelo contrário, totalmente prejudicial aos nossos interesses”, declarou o ayatollah iraniano, descrevendo as conversações como “chantagem”.
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