
Teerão, 12 jul 2026 (Lusa) — O exército iraniano disse hoje que a lista de alvos militares do país “foi atualizada”, depois das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de lançar mil mísseis ao Irão caso seja alvo de uma tentativa de assassinato.
“A lista de alvos do exército foi atualizada e está preparada para qualquer cenário. Os americanos fariam melhor em terminar as suas intervenções na região”, afirmou o porta-voz Mohammad Akraminia, em declarações à televisão estatal iraniana, segundo a agência iraniana Mehr, citada pela espanhola Efe.
O general iraniano salientou ainda que o exército da República Islâmica “nunca confiou nos americanos” e que aproveitou o cessar-fogo para reforçar as suas capacidades de combate, dado que, segundo ele, os Estados Unidos “têm um longo historial de incumprimentos”, como “as recentes violações do acordo de cessar-fogo”.
Além disso, afirmou que Washington está a tentar impor uma rota marítima “não autorizada” através do Estreito de Ormuz, violando o Memorando de Entendimento assinado em junho em Islamabad.
“As Forças Armadas da República Islâmica do Irão têm a obrigação de garantir a segurança necessária para a passagem pelo Estreito de Ormuz e de implementar as disposições estipuladas pelo Irão no âmbito do acordo”, declarou Akraminia, acrescentando que Washington deveria considerar os seus aliados regionais e não expô-los a uma maior insegurança.
Para o porta-voz, “de cada vez que os Estados Unidos agiram contra o Irão, receberam uma resposta, e o mesmo aconteceu ontem [sábado] à noite”, enfatizou, referindo-se à troca de ataques desta madrugada, quando o Irão anunciou que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado “até novas ordens”.
Os Estados Unidos lançaram esta noite uma nova ronda de ataques contra o Irão, que, segundo o Comando Central norte-americano (Centcom), atingiram cerca de 140 alvos militares, depois de o Irão ter bombardeado — ainda de acordo com a Centcom — um navio com bandeira cipriota que transitava pelo estreito de Ormuz.
Os meios de comunicação iranianos noticiaram várias explosões na província de Bushehr, onde se situa uma instalação nuclear, e em vários locais junto ao estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde passava aproximadamente um quinto do petróleo mundial antes do início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro.
Teerão, por sua vez, respondeu lançando mísseis e drones contra vários países do Médio Oriente que albergam bases americanas, incluindo a Jordânia, o Kuwait, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein.
No Qatar — país mediador entre Teerão e Washington — pelo menos três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços após a interceção de projéteis lançados do Irão.
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