
Teerão, 21 nov 2025 (Lusa) — O Governo iraniano acusou hoje os Estados Unidos e o grupo E3 (França, Reino Unido e Alemanha) de terem “assassinado” o acordo de cooperação assinado em setembro com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e anunciou o fim do pacto.
Após a aprovação de uma resolução no Conselho de Governadores da AIEA sobre o programa nuclear iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, denunciou que a diplomacia foi atacada por Israel e pelos Estados Unidos durante o processo negocial.
Como consequência, o chefe da diplomacia iraniana informou que a ativação do mecanismo de “restabelecimento automático” de sanções pela E3 levou Teerão a considerar oficialmente encerrado o chamado “Acordo do Cairo”.
Segundo Araqchi, quando o Irão retomou as inspeções da AIEA, apesar dos bombardeamentos às suas instalações nucleares, os EUA e o E3 fomentaram censura contra Teerão, promovendo uma escalada deliberada e revelando falta de boa-fé.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano classificou a resolução como “ilegal e injustificada”, alegando que viola o Tratado de Não Proliferação Nuclear e que foi aprovada explorando a maioria do bloco ocidental, sem o apoio de quase metade dos Estados-membros, incluindo Rússia e China.
Teerão argumentou que o Conselho de Governadores não tem autoridade para reativar resoluções do Conselho de Segurança e alertou que esta decisão aprofunda divisões e compromete a credibilidade do regime internacional de não proliferação.
A diplomacia iraniana acusou ainda os EUA de serem “o principal instigador” da crise nuclear iraniana, recordando a retirada unilateral do acordo de 2015 em 2018 e os ataques a instalações nucleares, responsabilizando igualmente Alemanha, França e Reino Unido por alinhamento com Washington e Israel.
As autoridades iranianas reiteraram que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e denunciaram Israel como “a maior ameaça à paz e segurança globais”, considerando-o o único detentor de armas de destruição maciça na região.
Teerão garantiu que continuará a defender os seus direitos no domínio da energia nuclear pacífica, lamentando o que classificou como comportamento “irresponsável” dos EUA e dos três países europeus.
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