
Londres, 05 nov 2026 (Lusa) – Angola aguarda a aprovação de mais projetos até ao final do ano que poderão elevar para mil milhões de dólares o investimento em infraestruturas de suporte ao turismo, afirmou hoje um membro do Governo.
O secretário de Estado para a Gestão de Activos e Concessões Turísticas de Angola, Josemar Afonso, disse à agência Lusa que o investimento durante este ano já ronda os 850 milhões de dólares (cerca de 760 milhões de euros).
“Temos mais propostas para aprovação ao nível da Presidência e, logo que tenhamos a aprovação, rapidamente conseguimos chegar aos mil milhões” de dólares (890 milhões de euros), afirmou.
Em causa estão infraestruturas como estradas, saneamento, água, eletricidade ou telecomunicações para condições básicas de acesso e permanência nas zonas com interesse turístico, como o caso de Cabo Ledo, Okavango e a Serra da Leba.
O governante falava durante a feira de turismo World Travel Market (WTM) na capital britânica, que encerra hoje, onde Angola participou pela primeira vez com um espaço que incluiu operadores de gestão de destino, hotéis e operadores turísticos.
Depois da participação na Feira Internacional de Turismo em Madrid, em janeiro, Afonso disse que o país está a procurar visibilidade no mercado britânico como destino turístico emergente que privilegia o turismo de natureza, aventura e descoberta em paisagens variadas como o deserto, safari e praias.
“Fazer acampamento no deserto do Namibe é uma experiência única”, destacou.
Segundo o secretário de Estado, o turismo ganhou um novo destaque ao nível da estratégia económica e “é hoje uma das potenciais alavancas da diversificação económica”.
Além de contactos com operadores internacionais, o Governo angolano também está interessado em atrair investimento privado para o setor.
O responsável adiantou que Angola recebeu 223 mil turistas internacionais em 2025, um crescimento de 28% face a 2022.
Josemar Afonso assume a ambição de alcançar um milhão de visitantes no futuro.
“Temos uma meta a que chamamos a barreira psicológica, quer dizer, é aqui que temos de chegar. Quanto mais rápido chegarmos a isto, melhor”, disse, admitindo estar consciente “que isto não vai ser do dia para a noite.”
A maioria das chegadas continua ligada a razões profissionais, cerca de 70%, e apenas 23% corresponde a turismo de lazer.
Na sua mensagem sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional, no mês passado, o Presidente de Angola, João Lourenço, revelou que Angola conta com 1.577 estabelecimentos hoteleiros e outros tipos de alojamento, com uma capacidade de mais de 31 mil quartos.
Em 2025, a taxa média de ocupação variou entre os 72% e os 75%, gerando receitas de 667 milhões de dólares (600 milhões de euros), o que contribuiu para a criação de mais de nove mil empregos.
O secretário de Estado para a Gestão de Activos e Concessões Turísticas, nomeado em agosto, salientou uma das reformas do Governo para facilitar a entrada em Angola, permitindo estadias turísticas de 30 dias com isenção de visto a 99 países.
O país mantém ligações aéreas diretas com Portugal, França, Cabo Verde, Maputo, Cidade do Cabo e Joanesburgo e Qatar, mas quer mais tráfego de países como Alemanha, Suíça ou Espanha.
Josemar Afonso admitiu, porém, que a perceção de insegurança continua a condicionar a decisão de potenciais turistas.
“Ainda temos de ultrapassar aspetos de questionamento sobre a segurança em Angola. Claramente demonstra, há trabalho educativo que ainda temos de fazer”, salientou.
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