Inquérito revela divisão no Canadá sobre ajuda a Cuba

Foto: Envato 

A situação em Cuba agrava-se devido a um bloqueio quase total do fornecimento de petróleo imposto pelos Estados Unidos, afetando a economia, o fornecimento de energia e o turismo, essenciais para a ilha. A escassez de combustível e as falhas de eletricidade continuam a afetar hospitais e serviços básicos.

O Canadá comprometeu até agora oito milhões de dólares em ajuda humanitária, destinados sobretudo a reforçar a segurança alimentar da população cubana. Dados do Angus Reid Institute indicam que metade dos canadianos defende a continuidade deste apoio, mesmo que tal possa gerar tensão com os Estados Unidos.

Por outro lado, 31% consideram que manter boas relações com Washington deve ser prioritário, enquanto 19% entendem que o Canadá deveria ter feito menos ou não ter enviado ajuda.

O inquérito revela também diferenças políticas. Eleitores do Partido Conservador mostram-se mais cautelosos quanto a novos apoios, enquanto apoiantes dos Liberais, NDP e Bloco Quebequense tendem a defender o seu reforço.

O bloqueio intensificou-se quando os Estados Unidos restringiram o fornecimento de combustível e assumiram o controlo das exportações venezuelanas, principal fonte energética de Cuba. A chegada de um navio russo com combustível permitiu algum alívio temporário.

O Canadá mantém relações económicas estáveis com Cuba, sendo atualmente o segundo maior investidor estrangeiro no país, depois de Espanha.

A nível internacional, cresce o debate entre ajuda humanitária e equilíbrio diplomático. Para Ottawa, o desafio passa por apoiar a população cubana sem comprometer as relações com os Estados Unidos, num contexto de tensões comerciais e políticas.