
Jacarta, 07 mar 2026 (Lusa) – O Governo indonésio declarou na sexta-feira que o país vai abandonar o Conselho de Paz do Presidente norte-americano, Donald Trump, se a criação desse órgão não beneficiar os palestinianos.
O Presidente indonésio, Prabowo Subianto, tem sido alvo de críticas por parte de grupos muçulmanos no país, após ter decidido aderir ao Conselho de Paz. O dirigente comprometeu-se a enviar milhares de soldados de manutenção da paz para a Faixa de Gaza no âmbito de um acordo de cessar-fogo precário.
Subianto garantiu esta semana aos líderes dos grupos muçulmanos locais que a adesão a este conselho tinha como objetivo estabelecer uma paz duradoura nos territórios palestinianos, informou uma agência de comunicação do Governo.
“O Presidente declarou que, se constatasse que isso não apresentava mais nenhuma vantagem para a Palestina (…) e que não correspondia aos interesses nacionais da Indonésia, ele se retiraria”, declarou, após a reunião, Hanif Alatas, da Frente dos Irmãos Muçulmanos, citado no comunicado.
A maior instância religiosa do país, o Conselho Indonésio de Ulemás (MUI), já exortou o Governo indonésio a retirar-se do conselho. A instituição classificou-o como “ineficaz para alcançar a verdadeira independência da Palestina”.
Prabowo Subianto participou na primeira reunião do Conselho de Paz em Washington no mês passado e comprometeu-se a enviar oito mil soldados para Gaza como parte de uma força internacional de estabilização.
Cerca de 47 países, dos quais apenas alguns são membros efetivos deste conselho, e a União Europeia, na qualidade de observadora, estiveram representados para discutir a estabilização da Faixa de Gaza.
O cessar-fogo visou pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
A retaliação de Israel fez mais de 72.100 mortos – entre os quais mais de 20.000 crianças – e cerca de 171.800 feridos, na maioria civis, indicam números atualizados (com as vítimas das violações diárias do cessar-fogo por Israel) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
A ser presidido de forma vitalícia pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, o organismo foi inicialmente apresentado como uma das peças-chave para supervisionar o plano de paz para a Faixa de Gaza, mas o tratado fundador da estrutura acabou por revelar um mandato muito mais vasto, ao propor-se a resolver conflitos armados em todo o mundo e ambicionando tornar-se uma organização alternativa às Nações Unidas.
Trump lançou o Conselho de Paz no Fórum Económico Mundial de Davos, em janeiro, e cerca de 20 países, todos aliados de Washington, assinaram a carta fundadora. O preço a pagar por um lugar permanente na organização é de mil milhões de dólares (cerca de 854 mil milhões de euros).
Países como Espanha, França e Eslovénia criticaram a Comissão Europeia pela participação na reunião do Conselho de Paz, devido à incompatibilidade desse organismo com a ONU.
Portugal, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admitiu assistir, “sempre como observador”, a reuniões do organismo dedicadas ao processo de paz e reconstrução da Faixa de Gaza.
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