
Seul, 25 ago 2026 (Lusa) – A direção e o sindicato da principal fabricante automóvel da Coreia do Sul, a Hyundai Motor, anunciaram que chegaram a um acordo salarial após várias greves parciais.
“Concordámos em aumentar o salário base mensal em 100 mil won [62 euros] e pagar um bónus equivalente a quatro meses de salário”, disse o sindicato, em comunicado, na noite de segunda-feira.
O sindicato exigia um aumento mensal de 149.600 wons (96 euros) e uma bonificação equivalente a 30% do lucro lÃquido de 2025. A empresa oferecia inicialmente 89 mil wons (58 euros) mais por mês, incentivos adicionais e 15 ações por trabalhador.
O sindicato acrescentou que as duas partes concordaram ainda que o futuro aumento da idade da reforma será acompanhado pela remoção do teto salarial no final da carreira.
O parlamento da Coreia do Sul, paÃs em pleno envelhecimento da população, está a analisar uma proposta para elevar a idade legal de reforma dos atuais 60 anos para 65 anos.
Na sexta-feira, cerca de 40 mil funcionários — segundo o sindicato — da Hyundai Motor paralisaram as atividades durante um dia inteiro, a primeira greve deste tipo em dez anos, depois do fracasso das negociações sobre salários e pensões.
Novas paralisações de quatro horas estavam agendadas para hoje e terça-feira, mas foram adiadas após o retomar das negociações salariais, que resultaram num acordo.
O acordo alcançado com a administração da Hyundai Motor tem ainda de ser aprovado por votação dos membros do sindicato, em 31 de agosto.
“Elogiamos o empenho dos nossos colaboradores e agradecemos os esforços das nossas equipas de negociação, que levaram a este acordo de princÃpio”, disse um porta-voz do sindicato à agência de notÃcias France-Presse.
As duas partes concordaram ainda em partilhar de forma transparente o progresso em novos negócios e tecnologias e em responder conjuntamente à transformação industrial, de acordo com a agência de notÃcias local Yonhap.
O sindicato exigia garantias de emprego face à futura introdução de robots e inteligência artificial nas fábricas, uma questão ligada ao possÃvel uso do humanoide Atlas, desenvolvido pela Boston Dynamics, filial norte-americana da Hyundai, segundo relatório da federação metalúrgica KMWU.
De acordo com cálculos da agência de notÃcias sul-coreana Newsis, o conflito laboral, que se arrastava há meses e foi marcado por várias paralisações, custou à empresa o equivalente a 2,3 biliões de won (1,37 mil milhões de euros).
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