Huthis esperam “escalada integral” de conflito da Arábia Saudita

Sanaa, 30 jul 2026 (Lusa) — O líder dos Huthis, Abdul-Malik al-Huthi, afirmou hoje que a Arábia Saudita prepara uma “escalada integral” das hostilidades contra o grupo rebelde iemenita e avisou que responderá na mesma moeda caso o conflito se intensifique.

“Os indicadores revelam que o lado saudita caminha para uma escalada integral”, disse al-Huthi no seu pronunciamento semanal televisivo, numa altura de crescente tensão entre os rebeldes iemenitas apoiados pelo Irão e a Arábia Saudita, que realizou igualmente ataques conjuntos com os Estados Unidos contra milícias aliadas de Teerão no Iraque.

O líder dos Huthis afirmou que o seu movimento não só responderá em caso de ataque, como pretende manter o bloqueio marítimo imposto em 20 de julho aos navios mercantes e petroleiros sauditas que transitam pelo estreito de Bab el-Mandeb, a porta de entrada para o mar Vermelho.

“Já experienciaram como as coisas são durante oito anos”, advertiu al-Huthi, referindo-se ao envolvimento da Arábia Saudita na guerra no Iémen, onde intervém desde 2015 à frente de uma coligação militar em apoio do governo internacionalmente reconhecido do país.

O Iémen vivia um alívio da tensão militar em 2022, quando foi alcançado um cessar-fogo mediado pela ONU, mas o bombardeamento do aeroporto de Sanaa pelo exército iemenita, em 13 de julho, reacendeu os ataques entre os Huthis e a Arábia Saudita.

Os rebeldes acusaram Riade pelo bombardeamento do aeroporto, que tinha como objetivo impedir a aterragem de um avião iraniano, e lançaram ataques contra infraestruturas energéticas da Arábia Saudita, que respondeu com ações contra posições rebeldes no Iémen.

Estes ataques cruzados aumentaram ainda mais a pressão sobre a região e, em particular, sobre a Arábia Saudita, a par da guerra desencadeada por Estados unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.

Os sauditas enfrentam não só interrupções no tráfego marítimo no estreito de Ormuz, impostas pela República Islâmica, como também no mar Vermelho, a principal via de escoamento das suas exportações de petróleo.

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