
Hong Kong, China, 12 mar 2026 (Lusa) — A Comissão Independente Contra a Corrupção de Hong Kong realizou buscas nos escritórios de pelo menos duas corretoras de valores de propriedade chinesa e deteve um dirigente da Guotai Junan International para colaborar numa investigação.
As buscas ocorreram na terça-feira na divisão de mercados de capitais da filial local da Citic Securities e da Guotai Junan International, segundo fontes citadas pelo jornal chinês Caixin.
Horas depois, a Guotai Junan International divulgou um comunicado confirmando que funcionários da Comissão de Valores e Futuros (SFC, na sigla em inglês) e da Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC) se apresentaram na sede da empresa em Hong Kong com mandados judiciais e apreenderam documentação.
A Guotai Junan precisou que um funcionário que não integra o conselho de administração foi detido pelo organismo anticorrupção.
A firma suspendeu de imediato o trabalhador “de todas as suas funções operacionais e poderes executivos”, com efeitos a partir de 10 de março e “até novo aviso”.
Ao mesmo tempo, a Guotai Junan sublinhou que “as restantes atividades da empresa, incluindo a banca de investimento e todas as divisões, continuam a funcionar normalmente”.
“A empresa mantém a sua solidez financeira e todas as operações decorrem de forma ordenada e em conformidade com a regulação”, acrescenta o comunicado.
Fontes citadas pela Caixin identificaram o executivo detido como Pang Jupeng, responsável pelo mercado de capitais da Guotai Junan.
A operação ocorre num momento de forte recuperação dos mercados de capitais da antiga colónia britânica.
A região semiautónoma recuperou em 2025 o primeiro lugar mundial em captação de fundos através de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) e registou o início de ano mais ativo da história, com várias operações multimilionárias e um forte aumento do volume negociado.
Embora não tenham sido divulgados detalhes do caso, as autoridades intensificaram a supervisão das práticas de financiamento no mercado bolsista.
Entre as investigações em curso está o caso do fundo de cobertura Segantii Capital Management, suspeito de utilização de informação privilegiada.
No ano passado, a ICAC acusou também um antigo funcionário da Bolsa de Hong Kong de alegados subornos relacionados com outro caso de uso de informação privilegiada.
Em paralelo, a SFC emitiu advertências repetidas às corretoras para que evitem apresentar pedidos de IPO incompletos ou de qualidade insuficiente no atual contexto de forte atividade.
Estas ações fazem parte de uma estratégia coordenada dos reguladores de Hong Kong para preservar a integridade do mercado num período de elevada atividade.
As autoridades reiteraram o compromisso com uma supervisão rigorosa do setor financeiro, embora até agora não tenham sido formalizadas acusações contra as empresas envolvidas.
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