
Washington, 09 abr 2026 (Lusa) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje, na terceira avaliação ao programa de ajustamento em São Tomé e Príncipe, que a guerra no Médio Oriente pode “colocar em risco” os progressos obtidos durante o programa.
“Prevê-se que a guerra no Médio Oriente afete o crescimento e a inflação, colocando em risco os progressos alcançados até ao momento ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado (ECF), lê-se no comunicado enviado à Lusa que, ao contrário do que é habitual, não revela se a terceira avaliação foi positiva ou não.
As autoridades deste país lusófono africano “continuam determinadas em cumprir os objetivos definidos no âmbito do programa apoiado pela ECF aprovado pelo Conselho de Administração do FMI em dezembro de 2024” e fizeram “progressos na preservação da estabilidade macroeconómica, não obstante a prolongada crise energética e o choque petrolífero em curso a nível mundial”, acrescenta o Fundo.
A maioria das metas quantitativas nesta avaliação “foi cumprida e registaram-se progressos significativos numa série de temas macroestruturais”.
As autoridades, acrescentam, “estão empenhadas em melhorar a situação orçamental e em fazer avançar a sua agenda de reformas” face a um “crescimento anémico” de 1% no ano passado, com a inflação a descer para menos de 10%.
“São Tomé e Príncipe enfrenta cortes de eletricidade persistentes e atrasos na transição energética, e a conjuntura externa incerta — incluindo a subida dos preços do petróleo a nível mundial — continua a ensombrar as perspetivas”, escreveu o chefe de missão, Slavi Slavov, citado no comunicado.
A economia manteve-se “relativamente resiliente, não obstante as falhas de eletricidade, a política monetária restritiva e a vulnerabilidade do país às alterações climáticas e às catástrofes naturais”, acrescentou ainda Slavov, alertando que apesar da descida da inflação nos últimos meses, “continua elevada e poderá voltar a subir, em caso de deterioração da conjuntura externa”.
O FMI diz que as autoridades continuam empenhadas num “ambicioso ajustamento orçamental a médio prazo, principal instrumento para fazer face à elevada dívida pública do país e para reequilibrar a economia num regime de paridade cambial, a par de uma política monetária restritiva”, num contexto em que, refere, “a intensificação das reformas no setor energético é fundamental para aliviar as pressões sobre o saldo orçamental e a dívida pública, manter a recuperação das reservas internacionais e desencadear um crescimento sustentado”.
O programa de ajustamento financeiro, aprovado em dezembro de 2024, contemplava um pacote total de 25,3 milhões de dólares (cerca de 21,5 milhões de euros), revisto em dezembro do ano passado para chegar a mais de 30 milhões de dólares, equivalentes a mais de 25 milhões de euros, prolongando-se por mais um ano, ou seja, até meados de 2028.
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