
Pequim, 11 mar 2026 (Lusa) — O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, afirmou hoje que as origens do conflito no Médio Oriente “carecem tanto de legitimidade como de legalidade” e que “a sua continuação só resultará em mais baixas desnecessárias”.
Durante uma conversa telefónica com o homólogo paquistanês, Mohammad Ishaq Dar, Wang indicou que o “requisito fundamental para evitar que a situação se deteriore ainda mais é que os Estados Unidos e Israel ponham fim às suas operações militares”, de acordo com um comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
O diplomata chinês assegurou que o país “não aprova os ataques contra os Estados do Golfo” e “condena todos os atos dirigidos contra instalações civis e civis inocentes”.
Wang também se referiu aos confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão, sobre os quais disse que “a prioridade imediata é evitar que o conflito se agrave e retornar à mesa de negociações o mais rápido possível”, face à escalada militar ao longo da chamada Linha Durand, a fronteira de facto que separa os dois países e que tem sido historicamente uma fonte de tensões entre Cabul e Islamabade.
“A China apoia firmemente os esforços antiterroristas do Paquistão e espera que este continue a envidar os seus máximos esforços para garantir a segurança e a proteção do pessoal, dos projetos e das instituições chinesas” no território paquistanês, acrescentou o ministro chinês.
Ishaq Dar “agradeceu os esforços de mediação” do país asiático no conflito, de acordo com o comunicado.
A China, principal parceiro comercial de Teerão e o maior comprador do petróleo iraniano, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel, por “violarem a soberania” do país persa.
Nos últimos dias, Wang reiterou que este é um conflito “que não deveria ter começado”.
O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, encontra-se na região a realizar uma “mediação ativa” no conflito, mantendo contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações, informou recentemente o ministério.
As autoridades chinesas também defenderam nos últimos dias a “manutenção da segurança das rotas marítimas”, tendo em conta que 45% do petróleo importado pela China chega através do Estreito de Ormuz.
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