
Oficiais militares canadianos dizem que a guerra na Ucrânia está a ser travada em duas frentes. Primeiro, no conflito armado e, segundo, pela desinformação. O tenente-coronel do Canadá Yves Desbiens diz que é preciso mais trabalho para silenciar aquilo que diz ser “a máquina de propaganda russa”.
“Há mais trabalho que precisa de ser feito para silenciar a máquina de propaganda russa”, quem o diz é o tenente-coronel, Yves Desbiens.
Desbiens, que está junto dos 500 soldados do Canadá na Letónia nos últimos quatro anos, disse à imprensa canadiana que estuda maneiras de combater a guerra da informação que a Rússia usa com sucesso. E não é de agora.
“Precisamos de melhorar… precisamos de rastrear isso muito mais rápido e nos adaptar aos padrões deles. Assim que nos adaptarmos, podemos tomar as medidas adequadas para minimizar os danos que isso causará”.
Apesar de tudo, Desbiens acrescentou que está surpreendido que a máquina de desinformação da Rússia não tenha funcionado na Ucrânia.
“Eles pensaram que iriam semear a divisão dentro da NATO e claramente o resultado é que a NATO se uniu a um nível que não víamos há anos.”
Desbiens, que também trabalha com o Centro de Excelência em Comunicação Estratégica da NATO, acredita que a Rússia deixou tudo explicado.
“Se voltarmos ao conflito atual, todas as lições que aprendemos e todas as principais descobertas que encontramos nos últimos anos ajudam-nos a entender como eles iriam operar na Ucrânia, como eles iriam expor a sua campanha de informação”.
O Canadá lidera o grupo de batalha da NATO na Letónia.
Desbiens disse que os russos têm como alvo a população de língua russa na Letónia, Polónia e outros estados bálticos na esperança de obter apoio. Ora a coisa não se avizinha fácil para Putin, já que as nações estão a tomar medidas para acabar com a desinformação.
A Ucrânia aprendeu, a partir de 2014, quando a Rússia anexou a Península da Crimeia. “Em termos de informação, acho que os ucranianos estavam muito mais preparados do que a Rússia pensava que estariam. Eles estão a comunicar-se ativamente, reportando em todas as frentes e a Rússia certamente não viu isso em 2014”, disse Desbiens.



