
Teerão, 14 mar 2026 (Lusa) — Os bombardeamentos israelo-americanos danificaram pelo menos 56 museus e sítios históricos em todo o Irão desde o início da guerra em 28 de fevereiro, anunciou hoje o Ministério do Património Cultural e do Turismo iraniano.
Em Teerão, os ataques danificaram, logo nos primeiros dias, o palácio do Golestão, inscrito no Património Mundial da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
O complexo, por vezes comparado ao palácio de Versalhes, em França, é um dos mais antigos da capital iraniana e serviu de residência à dinastia real Qajar (1789-1925).
A província de Teerão é a que regista o maior número de monumentos danificados (19), em diversos graus, de acordo com os dados do ministério citados pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Em Isfahan, no centro do país, também sofreu danos a praça Naqsh-e-Jahan, uma joia arquitetónica construída no século XVII e rodeada de mesquitas, um palácio e um bazar histórico.
Em Bushehr, cidade portuária no Golfo Pérsico, várias residências foram atingidas no bairro histórico do porto de Siraf, que conta com inúmeros edifícios centenários ou bicentenários.
A UNESCO alertou na sexta-feira para os danos e riscos para o património face ao elevado número de ataques aéreos, mísseis e drones no Médio Oriente.
A organização referiu sítios históricos no Irão, em Israel e no Líbano já danificados, e centenas de outros potencialmente ameaçados pela guerra.
O Irão respondeu à ofensiva israelo-americana com ataques contra Israel, e bases militares e outros interesses dos Estados Unidos nos países do Golfo Pérsico.
A guerra já tinha causado mais de dois mil mortos até sexta-feira, incluindo 1.444 no Irão e 687 no Líbano, de acordo com dados oficiais citados pela televisão Al-Jazeera do Qatar.
Causou também perturbações graves nos mercados internacionais de petróleo devido ao bloqueio pelo Irão do estreito de Ormuz, por onde circula mais de 20% da produção mundial.
O preço do barril de crude atingiu os valores mais elevados desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, tendo ultrapassado novamente a barreira psicológica dos 100 dólares, o que fez recear uma crise económica global.
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