Guerra comercial: Trudeau pressiona Trump para rever tarifas e evitar escalada do conflito

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O dia 4 de março marcou o início de uma guerra comercial entre o Canadá e os Estados Unidos da América (EUA), com a entrada em vigor das tarifas de 25% sobre os produtos canadianos importados pelo país vizinho.

As retaliações canadianas foram imediatas, e vários líderes governamentais, sindicais e empresariais pronunciaram-se com receio dos efeitos a curto e longo prazo destas tarifas para o Canadá, tanto a nível financeiro como no mercado de emprego.

Alguns sindicatos de grandes indústrias, como o Unifor, que representa trabalhadores da indústria automóvel, referiram mesmo a possibilidade de despedimentos, dependendo das opções de aquisição de produtos.

Entretanto, a embaixadora do Canadá na Organização Mundial do Comércio, Nadia Theodore, confirmou a 5 de março, em Genebra, que o Canadá solicitou consultas com os EUA sobre “tarifas injustificadas”, em defesa dos direitos canadianos.

O secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, também se pronunciou a 5 de março, após contacto com o premier de Ontário, Doug Ford, a 4 de março. Lutnick sugeriu a possibilidade de um acordo intermédio entre os países, de forma a que ninguém seja prejudicado.

O Canadá não desiste, e Justin Trudeau realizou, a 5 de março, uma chamada telefónica com Donald Trump para renegociar as tarifas impostas, com o objetivo de reverter a guerra comercial ainda numa fase inicial.

No entanto, Trump voltou a atacar o Canadá, referindo que não está convencido das mudanças nas fronteiras em relação ao tráfico ilegal de fentanil para os EUA, apesar das novas medidas implementadas pelo Canadá em fevereiro. As autoridades canadianas informaram, entretanto, que menos de 1% das apreensões de fentanil nos EUA tinham como origem o Canadá, e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA também divulgou que as interceções relacionadas com fentanil diminuíram.

Nas redes sociais, Trump voltou a referir-se a Trudeau como um governador e a culpar o Canadá e o México pelas mortes por fentanil nos EUA.

Após a conversa entre Trump e Trudeau, a Casa Branca confirmou um adiamento de um mês nas tarifas sobre automóveis. A secretária de imprensa dos EUA, Karoline Leavitt, confirmou que o país vai conceder uma isenção de um mês para qualquer automóvel abrangido pelo acordo comercial entre os EUA, o México e o Canadá, após confirmar negociações de Donald Trump com as concessionárias Stellantis, Ford e General Motors.