Guarda Revolucionária ameaça inimigos com “turbilhão mortal” no Estreito de Ormuz

Teerão, 12 abr 2026 (Lusa) – A Guarda Revolucionária do Irão afirmou hoje ter o controlo total do tráfego no Estreito de Ormuz e ameaçou prender os seus inimigos num “turbilhão mortal”, após declarações dos Estados Unidos (EUA).

“O inimigo ver-se-á preso num turbilhão mortal no Estreito se der um passo em falso”, afirmou o comando naval da Guarda Revolucionária do Irão, numa mensagem publicada na rede social X, acompanhada de um vídeo que mostra navios na sua mira, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado um bloqueio de entradas e saídas de navios no Estreito de Ormuz.

“Todo o tráfego […] está completamente sob o controlo das forças armadas”, garantiu o comando naval da Guarda Revolucionária, na mesma mensagem.

Donald Trump declarou hoje ter instruído a marinha norte-americana para “procurar intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagens ao Irão”.

“Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar”, declarou o Presidente norte-americano, citado pela Associated Press (AP).

Trump disse ainda que os Estados Unidos estavam prontos para acabar com o Irão no “momento apropriado”, sublinhando que as ambições nucleares de Teerão estavam no cerne do fracasso em terminar a guerra.

As negociações presenciais terminaram hoje de madrugada (em Lisboa), após 21 horas, deixando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.

As autoridades norte-americanas disseram que as negociações falharam devido ao que descreveram como a recusa do Irão em comprometer-se a abandonar o caminho para uma arma nuclear, enquanto as autoridades iranianas culparam os EUA pelo fracasso das negociações, sem especificar os pontos de discórdia.

Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o fim do cessar-fogo de 14 dias, a 22 de abril, e os mediadores paquistaneses instaram todas as partes a mantê-lo.

Ambos disseram que as suas posições eram claras e colocaram a responsabilidade no outro lado, sublinhando quão pouco a distância tinha diminuído ao longo das negociações.

Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra, a 28 de fevereiro, pelo menos 3.000 pessoas morreram no Irão, 2.020 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia em estados árabes do Golfo, além de terem causado danos duradouros nas infraestruturas em vários países do Médio Oriente.

O controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz isolou em grande parte o Golfo Pérsico e as suas exportações de petróleo e gás da economia global, fazendo disparar os preços da energia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o seu país vai tentar facilitar um novo diálogo entre o Irão e os EUA nos próximos dias.

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