Gronelândia reafirma “linha vermelha” após reunião com enviado dos EUA

Nuuk, Dinamarca, 18 mai 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, reafirmou hoje a “linha vermelha” ao recusar negociar com os Estados Unidos, indicando que a administração norte-americana mantém a sua posição, após uma reunião com o enviado norte-americano à ilha.

“Foi uma reunião construtiva, na qual pudemos dialogar num espírito cordial e com grande respeito mútuo”, afirmou Nielsen aos jornalistas, após o primeiro encontro com o representante dos EUA, o governador da Louisiana, Jeff Landry.

O chefe do Governo groenlandês reiterou, contudo, que o território não está disponível para negociação com Washington.

“Reiteramos claramente que o povo groenlandês não está à venda e que os groenlandeses têm o direito à autodeterminação. Este não é um assunto para negociação”, declarou.

Segundo Nielsen, “esta reunião não mostrou qualquer sinal de que algo tenha mudado” na posição norte-americana.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Mute Egede, afirmou que as posições das duas partes permanecem inalteradas.

“O nosso ponto de partida não mudou. Temos a nossa linha vermelha. O ponto de partida dos americanos também não mudou”, disse Egede, acrescentando que os contactos com Washington decorrem exclusivamente através do grupo de trabalho criado entre Dinamarca, Gronelândia e Estados Unidos.

“As discussões estão a decorrer dentro do grupo de trabalho. Não teremos discussões paralelas”, salientou Egede.

Jeff Landry chegou a Nuuk no domingo para uma visita de vários dias, durante a qual participará no fórum económico “Future Greenland”, que decorre hoje e terça-feira na capital groenlandesa.

O enviado norte-americano deverá ainda participar na inauguração do novo consulado dos Estados Unidos na ilha.

A visita ocorre após meses de tensão diplomática motivada pelas declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que manifestou a intenção de “assumir o controlo” da ilha ártica, estratégica devido à sua posição geográfica e aos recursos naturais.

 

RJP // JH

Lusa/Fim