Gregório Duvivier leva “O céu da língua” a várias cidades europeias

Lisboa, 11 mar 2026 (Lusa) — O ator e humorista brasileiro Gregório Duvivier, que inicia hoje, em Londres, a “turnê europeia” da peça “O céu da língua”, afirma que a língua é “casa” para a comunidade lusófona e que “é papel do Governo também exportar cultura”.

Em entrevista à Lusa, Duvivier refere que, nesta digressão, vai reunir aqueles que amam a língua portuguesa pelo mundo “porque a língua é também uma casa”.

Para o humorista, quando se viaja para fora de casa e se ouve a língua, esta “é uma experiência muito reconfortante” e “quando uma plateia ri junto da mesma piada faz um país”.

Sobre esta digressão europeia, que irá percorrer 13 cidades e onde a peça entrará em cena 20 vezes, Duvivier afirma que é a primeira vez que faz espetáculos fora do Brasil e de Portugal, “em países que não falam português”, e apresenta uma novidade: a peça será legendada na língua das cidades onde será acolhida.

“A gente, a princípio, ia fazer sem legenda (…), mas começámos a receber mensagens de pessoas dizendo ‘Vai ter legenda?'”.

Segundo Duvivier, estes pedidos chegaram “de brasileiros, portugueses, angolanos, enfim, lusófonos que vão levar um cônjuge, um filho, um pai, ao teatro” e então decidiram “colocar legendas pensando nessas pessoas, nesses acompanhantes, sobretudo”.

Duvivier refere que a tradução foi feita pela diretora, Luciana Paes, que é também coautora da peça, e que “está muito engraçada”, porque a legenda, em algumas partes, conversa com o espetador.

Citando alguns exemplos, Duvivier refere “ela [legenda] fala coisas como ‘peço perdão, isso eu não vou conseguir traduzir’, ‘volto em breve’ ou ‘o ator está falando coisas brasileiras demais para mim'”.

A legenda brinca, segundo o humorista, o tempo todo com as suas próprias limitações.

Questionado sobre se os Governos de Portugal e do Brasil deveriam fazer mais pela língua, Duvivier responde prontamente: “Sim, eu acho. Já fizemos mais, inclusive” e acrescenta que ” é papel do Governo também exportar cultura”, não só porque é bom politicamente, mas, também, porque dá dinheiro.

O humorista, que une humor e poesia, considera a língua a “tecnologia mais preciosa”: “É a primeira de todas as tecnologias. E a gente, às vezes, não é grato a ela”.

A peça “O céu da língua” estreou-se em Lisboa, Portugal, em 2024, resultado de uma colaboração entre o produtor Hugo Nóbrega e o humorista Gregório Duvivier. O monólogo iniciou a sua temporada no Teatro Aberto e seguiu depois para um circuito nacional.

Em fevereiro de 2025, rumou para o Brasil e, entre Portugal e Brasil, circulou por 33 cidades e acumulou mais de 200.000 espetadores. O trabalho rendeu a Duvivier o troféu de Melhor Ator na última edição do Prémio Bibi Ferreira.

Considerado um dos maiores fenómenos de público do teatro brasileiro contemporâneo, esta peça atinge números recordes.

“Pois é, quem diria, não é? Que as letras dariam números”, refere Duvivier, com o seu ‘humor poético’.

A digressão começa hoje, em Londres, no Islington Assembly Hall, quinta-feira a peça estará em Lisboa, no Coliseu dos Recreios, onde voltará domingo. Em Portugal, a peça é apresentada, ainda, sexta-feira no Teatro Municipal Baltazar Dias, na Madeira, dia 16 no Coliseu Micaelende, nos Açores, dia 18 no Coliseu Porto Ageas e no dia 25 no Teatro Garcia de Resende, em Évora.

Dia 20 de março o monólogo será apresentado no Colosseum Berlin, em Berlim, dia 21 no Pathé Tuschinski, em Amesterdão, dia 22 no The Ambassador Theatre, em Dublin, dia 23 no Teatro Amaya, em Madrid, dia 24 no Teatre Casino Aliança, em Barcelona, e dia 27 no Espace Lumen, em Bruxelas.

A digressão termina na capital francesa, Paris, dia 29 de março, no Le Trianon.

Com estreia com todas as datas esgotadas, a peça tem sessões extra abertas, ainda com disponibilidade: dia 15 em Lisboa, dia 18 no Porto, hoje em Londres, dia 23 em Dublin e dia 27 em Barcelona.

O espetáculo “O céu da língua” “mistura ‘stand up comedy’ com poesia falada e uma dramaturgia que mistura tudo”.

Ator, escritor e guionista, Gregório Duvivier é um dos criadores de “Porta dos Fundos”, o maior canal de ‘sketches’ do Brasil e um dos maiores do mundo. “À Flor da Língua” (Tinta da China) é o seu mais recente livro, que será lançado este mês em Portugal.

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