
Maputo, 07 abr 2026 (Lusa) — A ministra das Finanças moçambicana disse hoje que o Governo pagou o total da dÃvida de 630 milhões de euros ao FMI com as reservas lÃquidas internacionais, garantindo que a decisão não compromete as instituições do Estado.
“Nós pagámos o serviço da dÃvida que temos com o FMI com recurso a reservas internacionais lÃquidas do paÃs, então, são reservas que já dispõem ou que estão disponÃveis a nÃvel das instituições financeiras internacionais”, explicou Carla Loveira.
A governante falava, em Maputo, à margem das celebrações do dia da mulher moçambicana, feriado nacional, tendo detalhado que os recursos usados para a liquidação integral e antecipada de 630 milhões de euros ao FMI, “são posições financeiras que o paÃs tem, de tal sorte que não houve, sequer, a necessidade de haver a alteração orçamental para esta finalidade”.
Para Carla Loveira, não há nenhum risco de comprometer o funcionamento das instituições do Estado moçambicanas com o pagamento da dÃvida, “uma vez que não foi feito (…) com o orçamento do Estado”.
Em 12 de março, a Lusa noticiou que as Reservas Internacionais LÃquidas (RIL) moçambicanas voltaram a crescer em janeiro, para um novo recorde, de 4.152 milhões de dólares (3.595 milhões de euros), indicam dados de um relatório estatÃstico do Banco de Moçambique.
Estas reservas – divisas, em moeda estrangeira, necessárias à importação de bens e serviços – tinham subido 1% durante o mês de setembro, para 3.937 milhões de dólares (3.409 milhões de euros), tal como em outubro, após o máximo anterior, de 4.035 milhões de dólares (3.494 milhões de euros), em agosto.
De dezembro para janeiro subiram mais quase 1%, conforme o histórico do relatório, a que a Lusa teve acesso, garantindo mais de três meses de necessidades de importações de bens e serviços.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique disse, na sexta-feira, que a liquidação da dÃvida do paÃs junto ao FMI é um “sinal relevante” da responsabilidade macroeconómica e do reforço da credibilidade internacional, pedindo também atenção à s “avultadas dÃvidas internas”.
O Ministério das Finanças moçambicano confirmou, na quinta-feira, que fez uma “amortização integral e antecipada” de 630 milhões de euros junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), liquidando financiamentos contraÃdos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).
Em comunicado, aquele ministério refere que procedeu ao “reembolso antecipado da totalidade das obrigações” de Moçambique associadas ao programa PRGT do Fundo Monetário Internacional no valor total de 698.587,604 milhões de dólares (630 milhões de euros).
Os empresários moçambicanos consideram que a liquidação de toda a dÃvida de Moçambique junto do FMI contribui para a consolidação da confiança dos parceiros externos e criação de condições para o aprofundamento da cooperação económica e financeira, mas alertam que a estabilidade macroeconómica deve ser acompanhada por “medidas internas consistentes, que promovam um crescimento inclusivo e sustentável”.
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