Governo moçambicano confirma vaga de ataques, raptos e homicídios em Muidumbe

Pemba, Moçambique, 04 nov 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano confirmou hoje uma nova vaga de ataques, raptos e homicídios alegadamente por grupos extremistas em aldeias do distrito de Muidumbe, no norte da província de Cabo Delgado, afetada desde 2017 por uma insurgência armada.

“Tem estado a acontecer e houve raptos e assassinatos de pessoas em algumas aldeias de Muidumbe, sim”, disse o secretário de Estado em Cabo Delgado, Plácido Nerino Pereira, em declarações aos jornalistas, em Pemba, quando questionado sobre a situação de segurança na província.

Acrescentou que os ataques recentes poderão afetar a produção agrícola em zonas de Muidumbe devido à deslocação de populações, embora o Governo esteja a prever compensar eventuais perdas através da produção noutras regiões da província.

“Pode comprometer porque eram áreas já identificadas onde certamente haveria de se produzir quantidades consideráveis de alimentos, mas teremos de suprir aquelas necessidades com a produção de outras zonas”, afirmou.

Para apoiar as populações afetadas, o Governo enviou ajuda alimentar para o distrito, adaintou.

Apesar dos incidentes recentes, o secretário de Estado considerou que a situação de segurança melhorou face aos anos anteriores, embora tenha reconhecido que a ameaça armada se mantém.

“A situação em Cabo Delgado melhorou muito. Tivemos momentos em que os governos locais praticamente não estavam presentes em alguns distritos. Comparativamente com há dois ou três anos, a situação melhorou, mas isso não quer dizer que acabou. O terrorismo está lá, os terroristas estão lá”, afirmou.

Pelo menos 1.235 pessoas fugiram por receio de ataques de grupos insurgentes armados em quatro distritos da província de Cabo Delgado nas duas últimas semanas de outubro, segundo a Organização Internacional para as Migrações.

De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da Organização Internacional para as Migrações (OIM), os movimentos populacionais envolveram 1.235 pessoas, correspondentes a 316 agregados familiares, nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Meluco, entre 14 e 27 de outubro.

Cabo Delgado, província rica em gás natural no norte de Moçambique, é palco de uma insurgência armada desde 2017, conflito que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,3 milhões de deslocados ao longo de nove anos, segundo dados de organizações internacionais.

Os incidentes associados ao conflito na província aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado em setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que registou mais de 400 incidentes de conflito nos primeiros seis meses do ano.

RYCE/PVJ // ANP

Lusa/Fim