
Lisboa, 21 fev (Lusa) – O Governo apresenta hoje um programa de incentivo à ciência de dados e inteligência artificial na administração pública, que inclui quatro projetos-piloto de investigação sobre risco de desemprego, prescrição de antibióticos, segurança alimentar e apoio a empresários.
O programa, para o qual o Governo destina dez milhões de euros, será apresentado na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, na presença do primeiro-ministro, António Costa, e dos ministros da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, e da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques.
A apresentação do programa é uma das iniciativas da segunda sessão do Roteiro Inovação 2018, dedicada à inteligência artificial e que percorrerá hoje os concelhos de Palmela, Almada e Setúbal.
Os quatro projetos-piloto em causa, a decorrerem entre fevereiro de 2018 e agosto de 2019, envolvem, do lado da administração pública, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e a Agência para a Modernização Administrativa, de acordo com informação facultada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.
Trata-se de ‘projetos-âncora’ no valor total de até 500 mil euros, suportados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que se inserem no “programa mobilizador” para “estimular a ciência dos dados e a inteligência artificial na administração pública”.
O programa, que se enquadra na “Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030 – Portugal INCoDe.2030”, lançada pelo Governo há cerca de um ano, prevê financiar com dez milhões de euros um máximo de 30 projetos de investigação através de concursos públicos durante dois a três anos, disse à Lusa o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor.
O ministro ressalvou que a meta de projetos a subsidiar está dependente da recetividade ao primeiro concurso que será aberto pela FCT e cujo prazo de candidaturas acontecerá entre 15 de março e 30 de abril.
No âmbito deste concurso, os projetos, depois de aprovados, deverão começar no fim de 2018 ou no inÃcio de 2019, segundo Manuel Heitor.
Para se candidatarem à s verbas disponÃveis, todos os projetos de investigação apoiados pelo programa de estÃmulo à ciência de dados pressupõem que uma equipa de cientistas trabalhe sobre um problema identificado por uma entidade da administração pública e que esta “liberte os dados para os cientistas trabalharem”, nomeadamente com técnicas da inteligência artificial, descreveu o ministro.
A FCT, entidade na dependência do Governo que financia a investigação em Portugal, será a principal fonte financiadora da “atividade cientÃfica” abrangida pelo programa.
Caso seja necessário um “financiamento adicional”, de suporte aos próprios organismos do Estado envolvidos nos projetos, o mesmo será canalizado pela Agência para a Modernização Administrativa, adiantou o ministro.
Quanto aos quatro projetos-piloto, Manuel Heitor apresentou-os como exemplos para “atrair os cientistas para trabalharem em problemas de interesse público que a administração pública tem e que precisam de conhecimento”.
Num dos projetos, uma equipa de investigadores da Universidade Católica Portuguesa vai “aprofundar a análise dos registos” de dados do IEFP para “detetar de forma precoce o risco de desemprego de longa duração e identificar lacunas”.
Para “evitar a prescrição excessiva e inadequada de antibióticos”, o Instituto Gulbenkian de Ciência propõe-se “aprofundar a análise dos padrões de prescrição” a partir de dados das receitas médicas eletrónicas.
O Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência dos Computadores da Universidade do Porto vai desenvolver “modelos de análise de risco de seleção de agentes económicos a fiscalizar”, partindo das “bases de dados disponÃveis” da ASAE e de outras a eventualmente a criar.
O quarto ‘projeto-âncora’, a realizar por peritos do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra, pretende “aplicar técnicas de inteligência artificial e processamento de linguagem natural no desenvolvimento de agentes inteligentes capazes de responder a perguntas e esclarecer dúvidas de empreendedores no Balcão do Empreendedor/Espaço Empresa”.
O trabalho, que envolve a Agência para a Modernização Administrativa, inclui o apoio automático em assuntos relacionados com o inÃcio da atividade empresarial, licenciamentos e financiamentos, de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.
Antes da apresentação do programa de incentivo à ciência de dados e inteligência artificial na administração pública, no Monte de Caparica, em Almada, a comitiva governamental, que inclui o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, visita em Palmela a empresa Introsys, especialista em automação industrial e robótica móvel.
A segunda sessão do Roteiro Inovação, iniciativa lançada pelo Governo há quase uma semana, termina com uma visita ao Instituto Politécnico de Setúbal.
O roteiro engloba, entre fevereiro e abril, um itinerário pelo paÃs com uma sessão temática semanal numa determinada região.
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