
Luanda, 15 abr 2026 (Lusa) — O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República disse hoje que o Executivo angolano já mobilizou mais de mil toneladas de ajuda para os sinistrados da província de Benguela, destacando a solidariedade nacional.
O Presidente angolano, João Lourenço, deslocou-se hoje a Benguela, onde observou os estragos provocados por fortes chuvas que, no último fim de semana, causaram o transbordo do rio Cavaco e como consequência 19 mortos, 11 desaparecidos, afetando mais de nove mil famílias, segundo o último balanço dos bombeiros.
Além do Executivo, as empresas doaram até agora mais de 700 toneladas de ajuda, disse o ministro, vincando que está a haver “uma solidariedade nacional para com a província de Benguela e é assim que o país tem de estar”.
Segundo Francisco Furtado, o Presidente angolano observou por via aérea as áreas afetadas com o rompimento do dique, na margem esquerda do rio Cavaco, e percorreu a pé os locais onde estão a ser cadastradas e alojadas provisoriamente as pessoas que ficaram desalojadas.
No final da ronda, conforme avançou Francisco Furtado, o chefe de Estado angolano reuniu com o Conselho Nacional de Proteção Civil e o conselho local, tendo dado orientações concretas.
O governante angolano disse que o Presidente interagiu com as populações nas áreas em que estão acomodadas e viu como a população está “animada à espera da solução dos seus problemas”, e manteve contacto com as empresas no terreno que estão a realizar os trabalhos de recuperação de infraestruturas, para impedir que novas situações se registem.
“Vamos continuar a trabalhar no sentido de canalizar para Benguela os apoios necessários, não apenas para mitigar os efeitos da situação atual, mas também para a partir do fim da época chuvosa, em finais de maio, comecem as grandes ações de recuperação e construção de infraestruturas adequadas para acabar com este fenómeno que se vive em Benguela, não apenas no rio Cavaco, mas também no rio Catumbela”, disse.
A proteção civil local foi igualmente orientada a sensibilizar as populações a evitarem construções em áreas de risco e o desassoreamento dos rios.
Francisco Furtado destacou que houve uma reposta rápida tanto da proteção civil local e do Executivo central, com a deslocação de helicópteros, meios da Marinha de Guerra, 15 equipas de fuzileiros navais, com cinco meios náuticos para apoiar o resgate de populações.
“Foram resgatadas até hoje mais de 3.600 pessoas que se encontravam em situação de risco e, de facto o apoio tanto do Executivo central como das empresas e da sociedade civil em geral têm sido fundamentais para garantir a estabilidade das famílias e o asseguramento das suas condições, embora ainda precárias”, disse Francisco Furtado, em declarações à imprensa no final da visita de João Lourenço.
O governante angolano disse que o Governo fez chegar a Benguela até terça-feira cerca de 830 toneladas de bens alimentares e outros necessários para apoiar o reassentamento das populações, nomeadamente as mais afetadas que se encontram em centros temporários.
“Fez-se chegar desde meios de acomodação, medicamentos, alimentos e outros meios para poder garantir a vida normal destas populações” disse o ministro, acrescentando que o trabalho vai continuar e elogiando a “solidariedade massiva de todo o país em apoio a esta causa na província de Benguela”.
O ministro destacou o engajamento de empresas de construção para a correção das situações que se registaram com o rompimento do dique, para que caso haja alguma alteração os efeitos já não sejam devastadores.
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