Geopark Naturtejo dá parecer negativo a central solar Sophia na Beira Baixa

Castelo Branco, 04 nov 2026 (Lusa) — A Naturtejo, entidade administradora do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO anunciou hoje o seu parecer desfavorável ao projeto da central fotovoltaica Sophia, apesar de reconhecer que a sua reformulação trouxe melhorias significativas.

“A reformulação do projeto [Sophia] trouxe melhorias significativas, nomeadamente a redução da potência instalada, da área vedada e da superfície ocupada por painéis solares. Ainda assim, permanecem preocupações relacionadas com a dimensão da área ocupada, a transformação da paisagem, os efeitos sobre as atividades económicas e turísticas e os impactes cumulativos resultantes da concentração de projetos energéticos na região”, afirmou a Naturtejo, em comunicado enviado à agência Lusa.

O Geopark Naturtejo, criado em 2006, é um território de conservação, educação, turismo, inovação e desenvolvimento sustentável, classificado como Geoparque Mundial da UNESCO, com cerca de 5.000 quilómetros quadrados, situado entre o vale do Tejo e as montanhas do Centro de Portugal.

Abrange os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco) e o concelho de Nisa (distrito de Portalegre).

A segunda consulta pública da central solar fotovoltaica Sophia – abrangendo os concelhos do Fundão, de Idanha-a-Nova e de Penamacor, na Beira Baixa, distrito de Castelo Branco – terminou no dia 21, depois de a multinacional britânica promotora do projeto ter reduzido a capacidade instalada em 34% na reformulação que submeteu à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).

“Relativamente à capacidade instalada, é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico) para cerca de 573MWp. Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em 32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de 50%”, explicou a Lightsource BP na informação disponibilizada à agência Lusa.

O projeto inicial abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, e uma capacidade instalada de 867 MWp.

A área ocupada do projeto por módulos fotovoltaicos era de 390 hectares, 435 hectares considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área vedada.

A Naturtejo defende uma avaliação territorial integrada que tenha em conta a capacidade de acolhimento do território e salvaguarde a paisagem, a geodiversidade, a biodiversidade, os solos, a atividade agrícola, o turismo e a qualidade de vida das populações.

O parecer emitido propõe ainda a definição de uma estratégia territorial mais sustentável para o desenvolvimento de projetos fotovoltaicos, privilegiando, sempre que possível, “soluções descentralizadas e a utilização de superfícies construídas ou áreas já artificializadas”.

“A Naturtejo manifesta disponibilidade para continuar a colaborar com a Agência Portuguesa do Ambiente, os municípios, as restantes entidades e o promotor na procura de soluções que permitam conciliar a transição energética com a conservação do património e o desenvolvimento sustentável das comunidades”, lê-se na nota.

Apesar de reconhecer a importância da transição energética e os benefícios associados à produção de energia renovável, considera que “não está suficientemente demonstrada a compatibilidade do projeto com os valores paisagísticos, naturais, geológicos e socioeconómicos do território”.

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