Futuro PM britânico Andy Burnham vai romper com estilo de Keir Starmer – Analistas

Londres, 13 jul 2026 (Lusa) – Analistas disseram hoje acreditar que Andy Burnham deverá tentar romper com o estilo de Keir Starmer quando se tornar primeiro-ministro, apostando numa mensagem de esperança e numa maior abertura interna aos deputados Partido Trabalhista.  

A editora-adjunta da revista especializada em política House Magazine, Sienna Rodgers, afirmou que Burnham pretende aprender com os erros de Starmer, nomeadamente com um aparente distanciamento dos eleitores e dos deputados trabalhistas, e as guerras internas no Governo. 

“Ele está totalmente focado na agenda interna”, vincou, durante um evento organizado pela agência de comunicação iNHouse. 

A correspondente do Financial Times no norte do Reino Unido, Jennifer Williams, apontou a devolução de poderes como o pilar central da nova abordagem, afirmando que Burnham está a tentar transformar a experiência de Manchester num modelo para o país. 

“Ele leva essa parte da agenda a sério”, disse, referindo-se à ideia de reforçar os transportes, os poderes das autoridades locais, bem como de promover uma relação mais próxima com os autarcas.

A jornalista, que acompanha Burnham há anos, disse que o antigo presidente da Câmara de Manchester é “mais ou menos de esquerda em matéria de economia, mas disposto a assumir posições mais à direita em algumas questões sociais”, como imigração ou energia. 

Na opinião de Williams, “ele provavelmente tentará governar de forma consensual”, embora isso possa ser mais difícil, na prática, do que parece.

Burnham prometeu uma mudança significativa na política económica, propondo uma estratégia designada “Manchesterismo”, assente na mobilização de investimento público e privado em áreas como transportes, habitação e infraestruturas, para contrariar o fraco crescimento económico registado desde a crise financeira de 2008.

O futuro líder trabalhista deverá, no entanto, enfrentar desafios semelhantes aos do antecessor, incluindo uma economia estagnada, pressões sobre o sistema de saúde e apoios sociais, e o aumento do custo de vida.

Rodgers admitiu que ainda há incerteza sobre a visão para a política externa, embora Burnham tenha escrito um texto para o jornal The Times, no qual defendeu a continuidade, garantindo o compromisso com a NATO e com o dissuasor nuclear britânico, bem como o apoio à Ucrânia e a manutenção de uma aliança próxima com os Estados Unidos.

Ainda assim, criticou a resposta inicial do Governo trabalhista ao conflito entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas, afirmando que o Reino Unido foi “demasiado lento” a apelar para um cessar-fogo. 

Burnham admitiu também a possibilidade de novas sanções relacionadas com a situação em Gaza e medidas para restringir o comércio com colonatos israelitas considerados ilegais.

Rogers disse acreditar que criticar o apoio de Londres a Israel “é mais uma forma de tentar melhorar as relações” com os deputados trabalhistas. 

No mês passado, Keir Starmer anunciou que se demitia assim que fosse escolhido um sucessor, depois de cerca de dois anos no cargo de primeiro-ministro marcados por decisões controversas que fragilizaram a sua posição política.

Burnham deverá ser confirmado como líder trabalhista a 17 de julho e assumir funções como primeiro-ministro depois de uma audiência com o rei Carlos III, prevista para 20 de julho.

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