Frente Comum reúne-se na quinta-feira com o Ministério da Saúde sobre condições do SNS

Lisboa, 04 mar 2026 (Lusa) — A Frente Comum vai reunir-se na quinta-feira com o Ministério da Saúde para discutir as reivindicações dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo a situação do INEM, anunciou hoje coordenador daquela estrutura sindical.

Na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019, Sebastião Santana disse que o INEM continua sem conseguir contratar os profissionais de que necessita e que o Governo terá de apresentar soluções.

O dirigente referiu que, “no final do ano passado, o INEM tinha 804 vagas por preencher, das quais 496 eram para técnicos de emergência pré hospitalar”, observando que ter-se aberto “um concurso para apenas 200 vagas” é insuficiente.

Sebastião Santana adiantou aos deputados que o presidente do INEM, Luís Cabral, admitiu, numa reunião em 28 de janeiro, que “não vão ficar sequer metade delas preenchidas”, devido a desistências e a candidatos que “não conseguiram completar a formação”.

Para o coordenador da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (Frente Comum), esta situação demonstra falta de atratividade da carreira, marcada por “trabalho penoso, baixos salários” — cerca de 1.183 euros de salário base — e condições de trabalho limitadas.

O dirigente sindical acrescentou que o problema é agravado pelo “quadro geral da administração pública”, com a saída de trabalhadores “para outros lados” devido à limitação na progressão e a um sistema de avaliação que “não permite evolução salarial”, tornando difícil atrair e reter profissionais.

“O Governo tem de responder às reivindicações dos atuais trabalhadores”, salientou, defendendo melhorias salariais, melhores condições de trabalho, formação adequada e investimentos básicos, como “condições das bases e das viaturas”.

Sebastião Santana lamentou ainda a falta de abertura negocial.

“Andamos com estes processos arrastadíssimos”, afirmou, sublinhando que o encontro de quinta-feira, às 16:30, com a tutela servirá para perceber “que respostas é que o Governo tem para dar”.

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