
Bruxelas, 08 abr 2026 (Lusa) — O fornecimento de petróleo para a União Europeia mantém-se estável, apesar das flutuações nos preços globais, indicaram hoje responsáveis da indústria petrolífera durante uma reunião com representantes das instituições europeias.
Em comunicado, a Comissão Europeia refere que se reuniu hoje o Grupo de Coordenação do Petróleo da União Europeia (UE), que junta representantes do executivo comunitário, dos Estados-membros e da indústria petrolífera, com o intuito de abordar a “situação de segurança de abastecimento de petróleo na UE”, perante a guerra no Médio Oriente.
Nessa reunião, segundo o comunicado, os representantes da indústria petrolífera “indicaram que o fornecimento de petróleo se mantém, de momento, estável, apesar de ter sido afetado pelas flutuações nos preços globais” e manifestaram “preocupação quanto às incertezas relativamente à duração do conflito”.
“Os representantes da indústria também destacaram a importância de evitar interferências indevidas nos mercados e de garantir transparência e coordenação ao nível da UE”, indica a Comissão Europeia.
No comunicado, refere-se também que, nesta reunião, a Comissão Europeia e os Estados-membros discutiram “a partilha de dados mais recentes sobre as reservas da UE e as condições de mercado, com vista a analisar a situação da procura e da oferta na UE a médio prazo e servir de base para ações e medidas coordenadas a nível europeu no futuro”.
Esta quinta-feira, está também prevista uma reunião do Grupo de Coordenação da Gás da UE.
As reuniões destes dois órgãos têm como intuito abordar uma eventual escassez de combustíveis, nomeadamente no que toca ao gasóleo e combustível de aviação, devido à incerteza relativa à circulação marítima no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito consumido a nível mundial.
A atual crise energética teve origem no ataque conjunto de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, em 28 de fevereiro passado, e na consequente resposta iraniana, que desestabilizou o mercado global do petróleo e do gás.
Esta situação provocou um aumento acentuado dos preços da energia, afetando os custos de produção e o poder de compra das famílias, com repercussões diretas nas finanças públicas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, aceitou, na terça-feira à noite, suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão, num “cessar-fogo bilateral”, e após ter recebido de Teerão uma proposta de paz que considerou “viável”.
O acordo, confirmado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, pretende possibilitar negociações para um acordo de paz que, segundo as autoridades iranianas, terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril (sexta-feira).
Como parte desta trégua, as autoridades de Teerão comprometeram-se a autorizar a passagem de navios no Estreito de Ormuz, após mais de um mês de um bloqueio parcial que fez disparar os preços de petróleo e gás natural em todo o mundo.
No entanto, esta tarde, o Irão voltou a suspender o tráfego de petroleiros através do estreito, segundo a comunicação social iraniana, no seguimento do ataque aéreo israelita em grande escala no Líbano, que hoje fez dezenas de mortos em Beirute.
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