Forças armadas do Irão afirmam estar “mais poderosas” do que no início da guerra

Teerão, 07 nov 2026 (Lusa) – As forças armadas iranianas afirmaram hoje estar “mais poderosas” do que no início da guerra, declarando-se prontas para responder a qualquer ataque de forma imediata e “sem limites geográficos”, na sequência das recentes ameaças norte-americanas.

Embora as negociações diplomáticas para evitar uma retoma das hostilidades se tenham intensificado recentemente, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém em aberto a possibilidade de novos bombardeamentos sobre a República Islâmica.

“As forças armadas da República Islâmica encontram-se hoje num estado de alerta mais elevado e são mais poderosas do que eram no início da guerra”, declarou o porta-voz do exército, Mohammad Akraminia, citado pela agência oficial Irna.

“Por ordem do Guia Supremo, qualquer resposta das forças armadas será imediata, eficaz e sem limites geográficos”, acrescentou.

Na noite de sexta-feira para sábado, a televisão estatal iraniana voltou a dar notícia de duas explosões na ilha de Qeshm, tendo a agência Tasnim referido, por seu lado, dois mísseis que a teriam atingido.

Sem confirmar, o exército do Irão, citado pelos meios de comunicação iranianos, indicou pouco depois ter destruído um drone militar norte-americano nesta ilha situada no estreito de Ormuz.

Qeshm já tinha sido alvo de bombardeamentos limitados na madrugada de terça-feira, pouco antes das eleições intercalares nos Estados Unidos, que se traduziram num revés contundente para Donald Trump.

“Estamos a realizar ataques de menor envergadura”, reconheceu ainda o Presidente norte-americano na sexta-feira à noite, sem especificar se se referia a novos ataques ou aos do início da semana.

O republicano reconheceu que a guerra no Médio Oriente, que fez disparar os preços da energia desde o início, no final de fevereiro, explicava em parte a vitória dos democratas, ao mesmo tempo que assegurava que era “a única solução”: “Não podemos deixar que o Irão tenha a arma nuclear”, afirmou na terça-feira à noite.

O exército norte-americano anunciou na sexta-feira que oferecia uma recompensa de 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros) “e uma possível mudança de residência” a qualquer pessoa que lhe fornecesse informações sobre o programa nuclear iraniano. Teerão sempre negou querer dotar-se de armas atómicas, defendendo o direito à energia nuclear civil.

Após uma série de recentes ameaças israelo-americanas, as negociações diplomáticas para evitar o reinício das hostilidades intensificaram-se recentemente sob a mediação do Qatar.

Donald Trump conversou na sexta-feira com o emir do Qatar, enquanto o chefe da diplomacia iraniana multiplicou os contactos esta semana com os homólogos do Golfo.

O principal tema das discussões é o controlo do estreito de Ormuz, onde o Irão afirma regularmente que os navios são destruídos por minas.

O porta-voz militar reiterou hoje que as forças iranianas só desbloqueariam esta passagem estratégica para o comércio de hidrocarbonetos se os Estados Unidos aceitassem as condições impostas por Teerão.

O Irão já se mostrou disposto a reabrir Ormuz caso Washington aceite uma série de medidas, tais como um cessar-fogo em todas as frentes da região, o desbloqueio dos ativos detidos no estrangeiro, o levantamento das sanções que afetam o setor petrolífero, bem como o fim do bloqueio naval norte-americano contra os portos iranianos. Os Estados Unidos têm-se recusado a fazê-lo.

Sem clareza sobre a estratégia do Presidente norte-americano em relação à República Islâmica após a derrota eleitoral de terça-feira, o líder supremo, o aiatola Mojtaba Khamenei, advertiu desde então que o conflito no Médio Oriente se alastraria se os Estados Unidos retomassem os ataques contra a República Islâmica.

No entanto, descartou qualquer possibilidade de mudança na política norte-americana, considerando que aqueles que esperavam essa mudança “estavam profundamente enganados”

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