
Mais de uma em cada oito crianças em Toronto vive numa família que depende dos bancos alimentares para ter acesso a comida. A proporção quase duplicou desde 2022, quando era de uma em cada 15.
Os dados constam do relatório anual “Who’s Hungry”, divulgado pelo “Daily Bread Food Bank”, que revela também mais de 4,1 milhões de visitas aos bancos alimentares da cidade, pelo segundo ano consecutivo.
O impacto da falta de alimentos sente-se sobretudo nas famílias com filhos. Segundo o estudo, 67% dos pais abdicaram de uma refeição para garantir que as crianças tinham comida suficiente. Além disso, 17% das famílias inquiridas disseram que pelo menos uma criança passou fome uma vez por semana.
O responsável pelo “Daily Bread Food Bank” considera a situação alarmante. Neil Hetherington alerta que as crianças são agora o grupo mais representado entre os utentes dos bancos alimentares. Ao todo, a organização apoia cerca de 220 estruturas na cidade.
A crise do custo de vida e o peso das despesas com a habitação ajudam a explicar esta realidade. Um em cada quatro utentes dos bancos alimentares gastou todo o rendimento no pagamento da casa, contra um em cada cinco no ano anterior.
O relatório apresenta recomendações aos governos federal, provincial e municipal, incluindo medidas de apoio à habitação e um investimento municipal de 100 milhões de dólares para preservar casas a preços acessíveis em Toronto.
Apesar do esforço dos bancos alimentares para responder à procura, a insegurança alimentar continua a afetar milhares de famílias, sobretudo aquelas com crianças.



