
Marmaris, Turquia, 13 mai 2026 (Lusa) – A flotilha Global Sumud anunciou hoje que vai retomar a sua missão para Gaza com 54 embarcações, poucos dias após a libertação de dois ativistas detidos por Israel no âmbito duma anterior iniciativa humanitária.
“Estou aqui para anunciar oficialmente que amanhã [quinta-feira] a nossa missão continuará rumo a Gaza. 54 embarcações, incluindo cinco dos nossos colegas da Coligação Flotilha da Liberdade, com mais de 500 pessoas corajosas, vão partir de Marmaris”, declarou Saif Abukeshek, ativista hispano-palestiniano, que esteve preso durante 10 dias na prisão israelita de Shikma, em Ashkelon, depois de as autoridades israelitas terem intercetado a anterior iniciativa humanitária da Flotilha.
Num evento em Marmaris, na Turquia, Abukeshek afirmou que o grupo está “muito consciente dos riscos” que pode “enfrentar como movimento e como participantes” desta iniciativa humanitária.
“Temos plena consciência da brutalidade deste Governo [Israel] genocida. Vimos isto acontecer vezes sem conta. E temos plena consciência da nossa resposta a isto”, afirmou Abukeshek, enfatizando que “o perigo e o risco de não agir são muito maiores”.
“Estamos a fazer o que está certo”, sublinhou o ativista espanhol, depois de reiterar a sua acusação de que Israel age desta forma porque conta com o apoio dos Estados Unidos e a inação da União Europeia (UE).
Abukeshek insistiu na retomada da operação para sensibilizar as pessoas sobre a situação que atravessa Gaza e a situação da população palestiniana.
“Não nos enganemos: o que Israel tem feito nos últimos três anos, tem feito nos últimos 78 anos. Dedicaram o seu tempo, esforço e energia para eliminar o povo palestiniano”, declarou o ativista, lembrando que a flotilha partirá novamente para Gaza, apenas um dia antes do aniversário da Nakba, o êxodo palestiniano entre 1946 e 1948 que resultou na deslocação permanente da maioria dos árabes palestinianos após a criação do Estado de Israel.
Segundo Abukeshek, esta data simbólica será utilizada “não para celebrar o aniversário da Nakba, mas para agir contra ela”.
“Celebrar aniversários não impede que os crimes aconteçam; agir, sim. Estamos a zarpar neste dia porque Israel está a implementar intencionalmente um genocídio lento que está a matar de fome o povo palestiniano em Gaza”, declarou.
Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago de Avila – os dois únicos ativistas da Flotilha Global Sumud que foram transferidos para Israel entre os cerca de 170 intercetados pelas forças israelitas em águas internacionais, próximo da Grécia, no dia 30 de abril – permaneceram num centro de detenção na cidade costeira israelita de Ashkelon até serem libertados em 10 de maio.
A inciativa anterior da Flotilha Global Sumud para Gaza era composta por cerca de cinquenta barcos e, segundo os seus organizadores, visava quebrar o bloqueio israelita ao território palestiniano devastado pela guerra e levar ajuda humanitária, que permanece severamente restringida. Entre os cerca de 170 ativistas que integravam a flotilha estavam três portugueses.
CSR // APN
Lusa/Fim
