Finlândia não terá armas nucleares no seu território em tempo de paz – Presidente

Helsínquia, 13 mar 2026 (Lusa) — O Presidente finlandês afirmou hoje que a Finlândia não permitirá armas nucleares no seu território em tempo de paz, na sequência do anúncio de um projeto do Governo que visa eliminar certas restrições ao armamento nuclear.

“A Finlândia não precisa de armas nucleares em tempo de paz”, esclareceu Alexander Stubb após se ter reunido com os líderes dos partidos no parlamento.

“Ninguém propôs que a Finlândia trouxesse armas nucleares para o seu território ou que assegurasse o seu trânsito em tempo de paz e este é o princípio fundamental ao qual continuaremos certamente fiéis”, afirmou o chefe de Estado numa conferência de imprensa.

O ministro da Defesa, Antti Hakkanen, tinha anunciado no início de março que o Governo tencionava alterar a sua legislação para que fosse possível, “no futuro, introduzir, transportar, entregar ou possuir uma arma nuclear na Finlândia”, caso tal estivesse “ligado à defesa militar” do país.

O Kremlin (presidência russa) reagiu imediatamente, considerando que o país nórdico, que partilha uma fronteira terrestre de aproximadamente 1.340 quilómetros com a Rússia, estava a começar a ameaçar Moscovo.

O anúncio do Governo de Helsínquia deste projeto de reforma suscitou também polémica no país devido à sua falta de clareza.

“Não concordo com a opinião de que isso tenha, de alguma forma, gerado confusão no debate internacional”, adiantou o Alexander Stubb.

Para o Presidente finlandês, a reforma apresentada pelo Governo tem como objetivo alinhar-se com a política de dissuasão da NATO.

“Trata-se de dissuasão nuclear. A NATO dispõe de três meios de dissuasão: o primeiro é constituído pelas forças convencionais, o segundo pelos mísseis e o terceiro pelas armas nucleares”, argumentou, acrescentando que, por se tratar de dissuasão, depreende-se que são armas que se espera “que nunca tenham de ser utilizadas”.

Contudo, face ao primeiro anúncio, a reação por parte do porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, foi perentória, acusando Helsínquia de estar a conduzir a uma escalada das tensões no continente europeu.

“Ao implantar armas nucleares, a Finlândia está a começar a ameaçar-nos”, disse Peskov em 06 de março, um dia após Helsínquia ter anunciado que estava a considerar a possibilidade de alinhar-se com a política de dissuasão da Aliança Atlântica.

Peskov acrescentou na mesma comunicação que as autoridades de Moscovo deviam tomar as medidas necessárias se a Finlândia ameaçar a Rússia.

A Finlândia abandonou a sua política de não alinhamento militar, com várias décadas, ao aderir à NATO em abril de 2023.

 

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