Filme “Justa” de Teresa Villaverde premiado em festival de cinema de Pequim

Lisboa, 26 abr 2026 (Lusa) — O filme “Justa” de Teresa Villaverde recebeu o Prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Cinema de Pequim, na China, e Madalena Cunha, de 13 anos, venceu na categoria de melhor atriz secundária.

“Justa recebeu o prémio Tiantan para Melhor Contribuição Artística e a atriz Madalena Cunha, de 13 anos e natural das Caldas da Rainha, recebeu o prémio Tiantan para melhor Atriz Secundária”, anunciou, em comunicado, a agência Portugal Film.

Os prémios foram atribuídos pela atriz francesa Juliette Binoche, que presidiu ao júri, pelos realizadores Bi Gan, Tran Anh Hung e Gabriel Mascaro, pelo compositor Simon Franglen, e pelos atores Zhang Yi e Zhang Xiaofei.

“Justa” é uma co-produção entre a Alce Filmes (Portugal) e a Epicentre Films (França).

Do elenco fazem ainda parte Betty Faria, Filomena Cautela, Robinson Stévenin e Ricardo Vidal.

A ação da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu outras 253.

Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas.

“Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas.

Entre essas histórias ficcionadas há a de Justa, uma menina que procura entender a morte da mãe no incêndio, e apoia o pai, que ficou com o corpo mutilado pelas chamas.

No filme cruzam-se ainda uma mulher que ficou cega, depois de morrer o marido, ou uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento.

Um ano depois daquele incêndio, Teresa Villaverde passou pela região e ficou marcada pelo que viu e ouviu.

“Atravessei aquelas estradas quando estava tudo ardido, e nas imagens que se veem na televisão ou em fotografias não se percebe o impacto de quilómetros e quilómetros de tudo preto, era uma coisa impressionante, e o silêncio total. […] Parecia o som da terra que nos acusa”, contou em entrevista à Lusa, aquando da estreia nos cinemas.

Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio.

O filme já teve estreia em Portugal e França e, brevemente, chegará às salas de cinema no Brasil, com seleções em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil, Itália, entre outros.

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