
Lisboa, 29 jan 2026 (Lusa) — O filme português “A Providência e a Guitarra”, uma comédia rocambolesca de João Nicolau sobre um casal de artistas saltimbancos, abre hoje o Festival Internacional de Cinema de Roterdão, nos Países Baixos.
O filme faz a estreia mundial num festival que tem dado destaque, com alguma regularidade, ao cinema português e que, no entender de João Nicolau, é “uma ótima janela” de divulgação, como contou em entrevista à agência Lusa.
“É um festival que oferece esse palco a cinematografias e a propostas que muitas vezes não encontram o seu lugar em festivais mais ‘mainstream’ ou no circuito comercial. […] Com os festivais temos oportunidade de apresentar a obra a públicos diferentes, de geografias e contextos culturais diferentes e isso, sim, dá-me prazer”, afirmou.
“A Providência e a Guitarra” é a quarta longa-metragem de João Nicolau e é apresentada como “uma aventura absurda, um mergulho lúdico nas agruras e deleites da vida artística”, a partir de um conto de Robert Louis Stevenson, do século XIX.
Na história, as personagens Léon e Elvira Berthelini são um casal de artistas ambulantes que levam uma vida de aventuras, sem grandes condições e à mercê da boa vontade de quem os acolhe em cada vila por onde passam.
No filme, João Nicolau explora a erudição da linguagem e da palavra dos Berthelini, mas acrescenta-lhe uma dimensão mágica e onírica, ao colocar as duas personagens igualmente no século XXI, enquanto membros de uma precária banda punk rock.
Léon e Elvira Berthelini são interpretados por Pedro Inês e Clara Riedenstein, à frente de um elenco que inclui, entre outros, Isac Graça, Jenna Thiam, Américo Silva e o músico Salvador Sobral, no papel de um aspirante a banqueiro a quem aconselham que siga uma vida de artista.
João Nicolau e parte do elenco vão estar em Roterdão para apresentar o filme, que terá estreia comercial em Portugal a 14 de maio.
“A mim dá-me muito mais gozo fazer o filme, a trabalhar nele do que a apresentá-lo. É claro que a divulgação é um aspeto importante, sobretudo, num tipo de filmes que não ambicionam ou não foi feito com o primeiro intuito de ter grande impacto comercial, que é o caso deste”, disse.
Além de “A Providência e a Guitarra”, no Festival de Roterdão vai estar também, na competição oficial, a longa-metragem “Projeto Global”, de Ivo M. Ferreira, cuja narrativa está “ancorada no início dos anos 1980, altura em que Portugal foi palco de atentados e assaltos perpetrados pelas Forças Populares 25 de Abril (FP-25)”.
No programa para curtas e médias-metragens, estarão ainda as curtas-metragens “O”, da atriz e realizadora Francisca Alarcão, e “Computadora”, da artista visual Alice dos Reis.
Fora de competição apresenta-se a realizadora Margarida Paias com a curta-metragem “Rui Carlos”, uma primeira obra.
Em termos de coproduções minoritárias de Portugal, Roterdão contará com os filmes “Lone Samurai”, de Josh C. Waller, “Domestic Deamon”, de Anahid Yahjian, e “Statues also die?”, de Thais Fernandes.
O 55.º Festival de Cinema de Roterdão termina a 08 de fevereiro.
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