Festival AmadoraBD “espelha evolução da BD contemporânea”

Amadora, Lisboa, 14 out 2026 (Lusa) — Quase a chegar a quarenta edições, o Festival Internacional de Banda Desenhada AmadoraBD, que começa na quinta-feira, propõe uma programação que é “um espelho da evolução da banda desenhada contemporânea”, disse à Lusa a diretora, Catarina Valente.

A 37.ª edição do AmadoraBD abre portas na quinta-feira com 14 exposições, a maioria no Parque da Liberdade, e a presença de dezenas de autores portugueses e estrangeiros para sessões de autógrafos, conversas e apresentação de novidades editoriais.

“Todos os anos temos autores a trabalhar temáticas distintas, a refletir sobre problemáticas sociais vigentes, portanto, que estão na ordem do dia, a desconstruir também aquilo que entendemos por banda desenhada mais clássica”, exemplificou Catarina Valente.

Entre as exposições previstas, há uma dedicada aos 80 anos das séries Lucky Luke — com originais do desenhador e criador Morris -, e outra sobre os 80 anos da série Blake & Mortimer, com a presença do desenhador Peter Van Dongen, e ainda uma retrospetiva do autor canadiano Guy Delisle, que estará em Portugal.

Os 25 anos da personagem Menino Triste, do autor português João Mascarenhas, e os 20 anos da editora portuguesa Kingpin Books também serão recordados no festival.

Haverá ainda mostras individuais — com a presença dos autores — de Patrícia Costa, Vasco Gargalo, Pedro N. e Manuel Monteiro, Mansoureh Kamari, Thomas Gilbert e Joseph Homs.

Na galeria municipal Artur Bual estará uma mostra retrospetiva dedicada ao projeto português Spam Cartoon, de Cristina Sampaio, André Carrilho, Tiago Albuquerque, João Fazenda e João Paulo Cotrim. Está prevista a edição de um livro-antologia.

Este ano, uma das novidades é a criação do “Artist Alley”, um espaço destinado aos “autores cujas chancelas são mais independentes”, para que possam apresentar-se em nome individual e vender as suas auto-edições e livros de artista.

Quando questionada sobre se o festival tem tido capacidade de se reinventar a cada ano, Catarina Valente responde que o AmadoraBD — que é organizado pela autarquia da Amadora — tem “sabido ouvir não só a comunidade bedéfila, mas também os visitantes”.

“Acho que essa auscultação tem sido feita de ano para ano com os participantes também das diferentes atividades, ouvindo também a crítica, ouvindo também as vozes da banda desenhada. (…) Se o festival estiver atento às opiniões da comunidade, obviamente vai espelhando aquilo que a comunidade também gostaria de ver e de usufruir”, disse.

Este ano, o AmadoraBD foi antecipado uns dias face a anos anteriores, para que inclua a celebração, no dia 18, do Dia Nacional da Banda Desenhada, consagrado em Portugal pela primeira vez em 2024.

É nesse dia que a organização vai anunciar os vencedores dos prémios anuais de banda desenhada do AmadoraBD, que este ano contam com um reforço monetário: O prémio para a melhor obra de BD de um autor português duplica para 10.000 euros e, pela primeira vez, o Prémio Revelação tem um valor pecuniário de 3.000 euros.

Ao Prémio Revelação são candidatas “A cada sete ondas”, de Beatriz Brajal, “Canalha borrada”, de Zé Lázaro Lourenço, “A solidão do ser”, de Helena Sá, “Manda msg quando chegares”, de R.G.B., e “O cão invisível”, de Wandson Lisboa.

Para a categoria de Melhor Obra de BD de Autor Português foram selecionados “Caderno de Memórias Coloniais”, de Isabela Figueiredo e Júlia Barata, “Rare Flavours”, de Filipe Andrade e Ram V, “Dormindo entre cadáveres”, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci, “O progresso da humanidade”, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins, e “Atrahasis”, de David Soares e Sónia Oliveira.

Os prémios distinguem ainda a Melhor Obra Estrangeira de BD Editada em Portugal, a Melhor Fanzine ou Publicação Independente e a Melhor Edição Portuguesa de BD.

O júri é composto pelo autor Luís Louro, pela especialista em banda desenhada Cristina Alves e por Rui Cartaxo, em representação do município da Amadora.

Quanto às dúvidas já levantadas sobre os critérios de inclusão de determinados livros candidatos que escapam aos parâmetros do que é uma banda desenhada, Catarina Valente remeteu para a subjetividade das decisões do júri.

“As obras nomeadas no Prémio Revelação, que neste caso foi a que suscitou mais dúvidas, creio eu, é uma nomeação subjetiva (…) e sendo esta eleição subjetiva, ela pode sempre causar dúvidas, como eventualmente causará todos os anos, porque é impossível ir ao encontro das expectativas de toda a comunidade e todas as vozes da BD”, disse.

O AmadoraBD decorrerá até ao dia 25 e toda a programação está em amadorabd.com.

Segundo Catarina Valente, o festival “faz parte do calendário e da agenda dos participantes e dos admiradores da banda desenhada” pelo que tem um número consolidado de visitantes a rondar as 20.000 entradas, registadas em 2025.

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