
Maputo, 20 abr 2026 (Lusa) – A estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) somou prejuízos de 12 milhões de dólares (10 milhões de euros) com a interrupção da circulação de comboios na Linha do Limpopo, prevendo a retoma em 01 de maio.
“O nosso plano inicial era termos reaberto a linha em meados de março (…), nós estamos com a linha fechada há cerca de três meses, são cerca de 130 comboios que não conseguimos fazer e vamos em cerca de 12 milhões de dólares de prejuízos do tráfego que não fizemos nessa linha do Zimbabué para Maputo. Temos muitos minérios, o crómio sobretudo”, disse o presidente do Conselho de Administração dos CFM, Agostinho Langa, citado hoje pela televisão pública moçambicana.
A Linha do Limpopo, no sul de Moçambique, permite ligação e mobilidade de pessoas e bens com países sem acesso ao mar, entre os quais o Zimbabué, que transporta, entre outros produtos, combustíveis, cereais e carga contentorizada.
Esta linha ficou severamente afetada pelas cheias e inundações que assolaram sobretudo a região sul de Moçambique em janeiro, com os CFM a avançarem agora com as obras de reabilitação da linha, prevendo a retoma da circulação de comboios em 01 de maio, com investimento nesses trabalhos de até 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros), conforme adiantou Agostinho Langa.
“Fomos discutindo com o decurso das obras que poderiam, por exemplo, em algumas passagens hidráulicas, que poderiam ser adiadas para uma segunda fase [de reabilitação], como disse (…) Então, estamos a pensar que nesta fase preliminar iremos entre 20 a 25 milhões de dólares. Conseguimos poupar cerca de 15 milhões de dólares [12,7 milhões de euros] da nossa avaliação inicial e esse montante provavelmente venha a ser gasto quando nós iniciarmos a segunda fase”, explicou o presidente dos CFM.
Conforme a Lusa noticiou anteriormente, as chuvas chegaram a paralisar a circulação dos comboios também nas linhas férreas de Ressano Garcia e Goba, que ligam Maputo às vizinhas África do Sul e Essuatíni, respectivamente.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, desde outubro, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD, foram afetadas 1.071.791 pessoas na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até final de abril -, correspondente a 247.470 famílias.
Há também registo de 17 pessoas desaparecidas e 352 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registaram em fevereiro e março novas vagas de inundações.
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