
Pequim, 25 ago 2026 (Lusa) — As ações da Unitree Robotics, o fabricante chinês de robôs humanoides, caÃram mais de 45% desde a estreia na Bolsa de Xangai, em 19 de agosto, entre receios de uma bolha e dúvidas sobre a tecnologia.
Os tÃtulos encerraram hoje nos 620,8 yuan (79,21 euros) por ação, valor que continua quase 300% acima do preço fixado pela empresa para a oferta pública inicial (IPO), mas representa uma queda de 45,2% face aos 1.100 yuan (140,34 euros) a que abriram na sessão de estreia, encerrada com uma valorização de 460%.
A capitalização bolsista da tecnológica passou assim de mais de 66 mil milhões de dólares (56,7 mil milhões de euros) para cerca de 36.270 milhões de dólares (31,1 mil milhões de euros) em menos de uma semana.
A Unitree vendeu 40,4 milhões de ações por cerca de 904 milhões de dólares (775 milhões de euros) no mercado STAR de Xangai, conhecido como o ‘Nasdaq chinês’ devido à sua aposta em empresas tecnológicas, numa operação que despertou forte interesse entre os investidores.
Na fase de subscrição, a procura superou em mais de 8.000 vezes o número de ações disponÃveis.
No entanto, apesar de os avanços dos robôs chineses terem voltado nos últimos dias a atrair a atenção mundial, graças às competições desportivas em que participam em Pequim, alguns analistas já questionaram, antes da entrada em bolsa, se a tecnologia está suficientemente madura para ser aplicada em tarefas quotidianas.
A própria empresa advertiu que a comercialização em grande escala poderá “demorar mais do que o esperado”, uma vez que, por exemplo, as mãos robóticas ainda não são suficientemente precisas nem resistentes.
O fundador da Unitree, Wang Xingxing, previu que o “momento ChatGPT” dos robôs humanoides chegará quando estes conseguirem executar, mediante instruções, cerca de 80% das tarefas em 80% de ambientes que não conhecem previamente, um marco que poderá demorar “entre dois e dez anos”.
Atualmente, um robô treinado com dados suficientes pode aproximar-se de uma taxa de eficácia de 100% em “cenários fixos”, mas esse valor “cai consideravelmente” assim que mudam os objetos que tem de manipular ou o ambiente em que trabalha, explicou o empresário.
Fundada em 2016 e com sede na cidade de Hangzhou, no leste da China, a Unitree desenvolve robôs quadrúpedes e humanoides, sendo o maior vendedor mundial destes últimos, que já representam mais de metade das receitas da empresa.
A tecnológica produz ainda componentes como mãos robóticas, braços colaborativos e sensores.
Segundo a imprensa oficial chinesa, 90% da cadeia de abastecimento da empresa é de produção nacional e todos os componentes essenciais são de desenvolvimento próprio, algo que reflete a “força” deste setor emergente na China.
A robótica é considerada estratégica pelas autoridades chinesas, no âmbito da aposta do paÃs em tecnologias avançadas e nas aplicações industriais da inteligência artificial (IA).
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