
Maputo, 23 set 2025 (Lusa) – O diretor-geral da ExxonMobil em Moçambique afirmou que o arranque da exploração de gás em Cabo Delgado, previsto até 2030, depende da melhoria do ambiente de segurança naquela província, palco desde 2017 de ataques terroristas.
“O fim do conflito é crucial para garantir um ambiente sustentável de desenvolvimento”, declarou o diretor-geral da ExxonMobil em Moçambique, Arne Gibbs, durante a abertura da 10.ª Cimeira e Exposição de Gás e Energia de Moçambique, que decorre desde segunda-feira em Maputo.
O responsável reconheceu, entretanto, a estabilidade proporcionada pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas em Cabo Delgado, província rica em gás, que enfrenta ataques armados desde 2017.
Gibbs garantiu que, após o levantamento da cláusula de força maior e melhoria de segurança, antes acionada em 2021 pela TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1, a ExxonMobil, que vai explorar a área 4 da bacia do Rovuma, poderá arrancar com a exploração em 2029/2030, com investimentos superiores a 300 milhões de dólares (254,2 milhões de euros) na fase inicial, incluindo expansão de infraestruturas em Afungi e criação pelo menos 400 empregos diretos para nacionais.
Reiterou ainda que a Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês) só será possível após o levantamento da força maior, que levou à suspensão das operações na Área 1, projetos interligados.
“Acreditamos que o futuro de Moçambique no setor energético é brilhante. Com estabilidade e cooperação, este será um marco transformador não só para o país, mas para toda a região”, disse Arne Gibbs, expressando ainda a vontade de ter a participação de empresas moçambicanas no projeto.
A ExxonMobil escolheu em outubro de 2024 os norte-americanos da McDermott para, em consórcio, preparar o projeto de engenharia do seu megaprojeto de produção de gás natural em Moçambique, a concluir este ano, antecedendo a decisão final de investimento.
De acordo com informação da consultora norte-americana, a McDermott foi então escolhida para liderar o consórcio formado ainda pela Saipem e China Petroleum Engineering and Construction Corporation, tendo até 16 meses, desde essa altura, para concluir o design técnico e de engenharia, designado por FEED (Front End Engineering Design), do projeto Rovuma LNG.
“O projeto Rovuma LNG Fase 1 representa um desenvolvimento significativo para o país e proporciona uma oportunidade significativa para o crescimento económico. O projeto inclui a liquefação e exportação de gás natural extraído dos campos offshore Área 4 ao largo da península de Afungi, em Moçambique [Cabo Delgado]”, lê-se numa informação da McDermott.
O consórcio, além da ExxonMobil, integra ainda os italianos da Eni e os chineses da China National Petroleum Corporation (CNPC), que detêm uma participação de 70% no Contrato de Concessão de Exploração e Produção da Área 4.
O projeto da Exxon em Cabo Delgado previa, conforme estimativas iniciais, uma produção de 15,2 milhões de toneladas de gás por ano, entretanto revisto para 18 milhões de toneladas.
O diretor-geral da ExxonMobil em Moçambique, Arne Gibbs, tinha avançado, em 03 de maio, a possibilidade de a decisão sobre o investimento ser tomada no final de 2025, acrescentando que o projeto do Rovuma LNG será “o maior projeto de gás natural liquefeito em África, e pode ser o maior projeto na história africana”.
Em março, a agência de notação financeira Fitch afirmou que a retoma, este ano, do projeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) da TotalEnergies em Moçambique vai “facilitar” a aguardada decisão da ExxonMobil para outro megaprojeto no norte do país.
Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo os da TotalEnergies, ainda suspenso devido a questões de segurança, também na península de Afungi, tal como o da ExxonMobil.
LYCE (PVJ) // VM
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