
Paris, 31 jul 2026 – A líder do partido francês de extrema-direita Reagrupamento Nacional acusou hoje o Governo de Madrid, de incentivar a entrada em massa de migrantes em território espanhol, enquanto o governo francês defendeu o reforço dos controlos fronteiriços no país.
Marine Le Pen referiu que a França deve procurar travar o que considera ser uma “loucura” restringindo, “a livre circulação” dentro do Espaço Schengen aos cidadãos da União Europeia.
Também hoje, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, disse que os controlos fronteiriços com Espanha vão ser reforçados e que está em contacto com o Governo espanhol face à crise causada pela chegada em massa de migrantes de Marrocos à cidade espanhola de Ceuta, no norte de África.
Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentarem entrar na cidade espanhola de Ceuta desde Marrocos, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início da manhã.
Segundo fontes policiais espanholas, aumentou para 19 o número de corpos retirados do mar em Ceuta desde quinta-feira, quando milhares de pessoas avançaram para a fronteira desde o lado de Marrocos para passar ou tentar passar para o enclave espanhol a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios.
Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram que o dispositivo policial nos dois lados da fronteira naqueles momentos não conseguiu travar a avalanche de pessoas.
Como aconteceu durante a madrugada, hoje de manhã continuavam a cruzar a fronteira “numerosas pessoas”, escreve a agência Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta “amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos”, descreveu o jornal EL Pais.
Segundo a agência de notícias EFE, o movimento na fronteira está porém a ser agora nos dois sentidos, com “centenas de migrantes” que entraram em Ceuta a começarem também, hoje de manhã, “a regressar a Marrocos pelo mesmo ponto onde entraram”, junto ao pontão fronteiriço na zona de El Tarajal.
Na quinta-feira, dois altos funcionários ligados ao Presidente norte-americano, Donald Trump, usaram as imagens que mostravam centenas de migrantes a atravessar a fronteira de Marrocos para a região autónoma espanhola de Ceuta para defender as políticas de imigração da atual administração dos EUA, alertando sobre o “possível regresso dos democratas ao poder” nos Estados Unidos.
“Era isto que aconteceria sob a Administração de [Joe] Biden. Graças a deus que o presidente (Donald) Trump foi eleito, para que nada disto pudesse acontecer”, escreveu nas redes sociais Steven Cheung, diretor de comunicação do Presidente dos Estados Unidos que também usou as imagens de Ceuta.
PSP (MP) // SB
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