Extrema-direita alemã suspeita de espiar para Moscovo embaraçada por viagem planeada à Rússia

Berlim, 11 nov 2025 (Lusa) – A líder do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, criticou hoje o plano de viagem de dois deputados à Rússia, quando o partido é acusado de espionagem pró-Moscovo.

Nos últimos dias, a comunicação social alemã noticiou os preparativos para esta viagem a Sochi, cidade russa banhada pelo mar Negro, de representantes eleitos alemães, incluindo dois deputados da AfD, para um encontro à margem da conferência dos BRICS (Bloco de economias emergentes) que ali se realiza este fim de semana.

“Para ser muito clara, não compreendo o que supostamente vamos lá fazer”, declarou Alice Weidel, numa conferência de imprensa no Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão), condenando uma decisão do “grupo de trabalho para os Negócios Estrangeiros” da sua bancada parlamentar.

Dos dois deputados cuja ida estava inicialmente prevista, “apenas um”, Steffen Kotré, “vai a Sochi”, anunciou a dirigente da extrema-direita alemã.

“Pessoalmente, eu não iria. Também não o recomendo a ninguém, porque não sei qual será o resultado. É por isso que só uma pessoa vai”, acrescentou.

Questionada por ter proibido qualquer encontro dos deputados da AfD com o ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país, Dmitri Medvedev, Weidel declarou-se satisfeita por o mesmo grupo de trabalho ter “reanalisado a questão”.

Medvedev tem um discurso particularmente agressivo e virulento em relação à Ucrânia e ao Ocidente.

A AfD vai em breve rever os procedimentos de autorização de viagens de representantes eleitos ao estrangeiro, afirmou a líder do partido, observando: “Não podemos continuar assim”.

Esta polémica surgiu numa altura em que, nas últimas semanas, deputados de outros partidos acusaram a AfD de utilizar o direito de colocar questões parlamentares, a nível regional e nacional, para recolher informações sensíveis para transmitir a Moscovo — alegações que o partido nega.

Depois de conquistar um histórico segundo lugar nas eleições legislativas federais de fevereiro, o AfD está praticamente empatado nas sondagens com os conservadores do chanceler alemão, Friedrich Merz, e até à frente destes em algumas regiões.

A Rússia é acusada, apesar de negar as acusações, de uma vasta campanha de espionagem, desinformação e sabotagem na Alemanha, o principal aliado militar da Ucrânia na Europa, bem como noutros países do continente europeu.

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