
Berlim, 29 set 2026 (Lusa) – O candidato do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxónia-Anhalt, no leste do país, declarou hoje esperar ser eleito presidente da região em dezembro, o que seria inédito na Alemanha do pós-guerra.
Após a vitória da AfD na eleição regional no início de setembro e as negociações entre partidos nas últimas semanas, “vamos agora manter-nos [neste calendário] e trabalhar para esse momento”, declarou Ulrich Siegmund ao canal televisivo de notícias alemão Welt, definindo como objetivo “garantir a eleição do presidente regional à primeira volta”.
Embora tenha vencido por uma larga margem, obtendo quase 44% dos votos, o seu partido ficou a três lugares da maioria absoluta, que lhe permitiria governar sem alianças ou o apoio tácito de outros partidos.
Contudo, a restante classe política, num país marcado pelos horrores do nazismo, excluía até então qualquer aliança com a formação de extrema-direita.
Mas o movimento de esquerda pró-Rússia BSW, que conquistou cinco assentos parlamentares, aceitou realizar conversações exploratórias com a AfD, embora tenha descartado a hipótese de com ela formar uma coligação.
Os dirigentes do BSW explicaram que é possível chegar a um entendimento com a AfD sobre determinadas propostas concretas, abrindo caminho para um eventual Governo de minoria da AfD que não derrubariam.
Segundo o jornal regional Mitteldeutsche Zeitung, um desses acordos implicaria a criação de uma comissão de inquérito sobre a forma como as autoridades geriram a pandemia de covid-19.
Por sua vez, Ulrich Siegmund afirmou querer formar “uma maioria estável”, motivo pelo qual pretende dar continuidade às negociações e só disputará a eleição em dezembro.
Os conservadores, os sociais-democratas, os ecologistas e o partido de esquerda radical Die Linke, que juntos detêm 39 mandatos, o mesmo número que a AfD detém sozinha, continuam a rejeitar qualquer cooperação com a formação de extrema-direita.
Durante a sua campanha, Siegmund prometeu multiplicar as expulsões de estrangeiros, alterar os currículos escolares de História — que considera excessivamente centrados na culpa da Alemanha do III Reich — e ainda afastar-se da radiotelevisão pública, por ser hostil à AfD.
Fundado em 2013 como um partido eurocético, a AfD transformou-se num partido anti-imigração, fazendo da empobrecida antiga Alemanha de Leste o seu bastião.
Atualmente, lidera por uma larga margem as sondagens sobre as intenções de voto a nível nacional, tendo recentemente alcançado o limiar dos 30%.
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