
Porto, 15 mai 2026 (Lusa) — O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, abre hoje ao público a exposição “Aflição de espírito. A Coleção Duerckheim x Serralves”, que mostra pela primeira vez a coleção que teve um núcleo depositado na instituição em 2024.
Com curadoria da diretora-adjunta do museu, Marta Moreira de Almeida, que trabalhou em conjunto com o colecionador Conde Duerckheim, a mostra pretende situar-se no contexto histórico e político das obras de arte nela incluídas e no momento em que é apresentada, como explicou aos jornalistas a curadora em abril.
“O intuito do colecionador é lançar esse debate sobre o devir histórico, desde o final da Segunda Guerra Mundial”, afirmou a diretora-adjunta do museu na altura, realçando que cerca de metade das obras expostas fazem parte do núcleo colocado em depósito em Serralves.
Nela, são apresentados trabalhos de artistas como Damien Hirst, Zhang Huan, Anselm Kiefer, Hermann Nitsch, Gerhard Richter, entre muitos outros.
“Aflição de espírito” — título proveniente de um texto bíblico – abre com duas peças de Hirst numa “reflexão sobre o ciclo da vida”, sendo uma delas uma peça de 2011 que se trata de “um touro embebido em formol, em duas vitrines, que o público vai poder atravessar, ver as entranhas do animal”.
A Fundação de Serralves anunciou em 2024 que parte da coleção de Duerckheim ficaria em depósito na instituição sediada no Porto, numa ação que foi mediada pelo português Nuno Luzio.
Em entrevista à Lusa na altura, o português revelou que a sua motivação para atuar como intermediário entre a família Duerckheim e Serralves foi “um dever e um direito patriótico”, “sem nenhuma pretensão nacionalista”.
“Eu estou fora há mais de 20 anos, continuo a acompanhar as notícias do meu país diariamente e sou um cidadão interessado, e, portanto, achei que era um dever e um direito patriótico de tentar trazer esta grande coleção de arte contemporânea para Portugal”, contou à Lusa.
Nascido em 1944 na região alemã da Saxónia, o industrial Christian Duerckheim viveu em Londres na década de 1960 e tornou-se num dos “mais significativos colecionadores da Europa”, como escreveu o jornal britânico The Guardian, em 2013, aquando de uma doação de 34 desenhos de artistas alemães modernos e de mais 60 trabalhos ao British Museum.
Em 2011, Duerckheim vendeu cerca de 80 obras através da leiloeira Sotheby’s por um valor recorde de mais de 100 milhões de libras, segundo notícias publicadas então pela imprensa especializada.
Na altura, ao New York Times, Christian Duerckheim afirmou que sempre quis ver a arte do seu tempo, enquanto alguém interessado em história que ficou obcecado com a arte do seu próprio país depois de ver uma obra de Georg Baselitz em 1970.
TDI (JE) // MAG
Lusa/fim
