Exportações chinesas registam crescimento homólogo de 14,1% em abril

Pequim, 09 mai 2026 (Lusa) – As exportações chinesas aumentaram em abril 14,1% em relação ao período homólogo anterior e as importações registaram um aumento de 25,3% no mesmo período, apesar da guerra no Médio Oriente, segundo dados oficiais publicados hoje.

O crescimento das exportações da China recuperou mais do que o esperado, apesar das perturbações no transporte marítimo causadas pela guerra no Irão, à medida que os volumes comerciais aumentam devido a um ‘boom’ de investimento em inteligência artificial.

As exportações aumentaram 14,1% em abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Administração Geral das Alfândegas chinesa.

Este valor contrasta com a previsão mediana de 8,4% numa sondagem da Bloomberg a economistas e com um aumento de 2,5% registado em março.

As importações aumentaram 25,3%, resultando num excedente comercial de 71,9 mil milhões de euros.

A melhoria nas exportações seguiu-se a um abrandamento surpreendentemente acentuado das exportações da China durante o primeiro mês da guerra, depois de os ataques dos EUA e de Israel ao Irão e a retaliação de Teerão terem espalhado a agitação por todo o Médio Oriente, que se estendeu ao globo.

E com as importações de produtos de alta tecnologia, como ‘chips’, em forte ascensão, a China registou em março o seu menor excedente comercial em mais de um ano.

Os desequilíbrios comerciais estarão em destaque antes da cimeira prevista para a próxima semana em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping.

O défice comercial de mercadorias dos EUA com a China aumentou em março pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Departamento do Comércio.

As fábricas chinesas contornaram a guerra de retaliações do ano passado com os EUA sobre as tarifas enviando mais produtos para regiões como África e a Europa, mesmo enfrentando resistência de países onde representam uma ameaça para os produtores locais.

A China tem vindo a somar a sua voz à pressão global para um fim do conflito no Médio Oriente, que eclodiu no final de fevereiro e forçou o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz.

Uma redução acentuada do tráfego nesta via navegável vital para o setor energético corre o risco de prejudicar as importações, fazer subir os preços do petróleo e ameaçar a procura estrangeira de produtos chineses.

A força das vendas no estrangeiro impulsionou a China para um excedente comercial sem precedentes de 1,02 biliões de euros em 2025.

Os volumes de expedição registados até agora em 2026 mantêm-se, na sua maioria, acima dos níveis recorde do ano passado, em parte graças à forte procura global impulsionada por investimentos em centros de dados e equipamento de energia.

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