Explosão a norte de Riade após ataques dos rebeldes do Iémen

Riade, 06 out 2026 (Lusa) – Uma explosão foi ouvida hoje no norte da capital da Arábia Saudita, disseram residentes à agência francesa AFP, horas depois de ataques ao aeroporto internacional de Riade reivindicados pelos huthis do Iémen.

Desconhece-se ainda o local onde ocorreu a explosão e se causou vítimas ou danos.

A nova explosão surge em plena intensificação das trocas de tiros entre a Arábia Saudita e os combatentes huthis pró-iranianos do Iémen.

Os rebeldes disseram que atingiram na segunda-feira o aeroporto internacional da capital saudita, Riade, e uma refinaria da petrolífera estatal Aramco.

Justificaram que os ataques constituem uma resposta ao apoio aéreo do reino saudita à contraofensiva lançada pelas forças iemenitas no domingo.

A coligação que apoia o Governo iemenita desde 2015 disse estar em curso a operação “Alvorecer do Iémen” para recuperar partes do território do Iémen nas mãos dos huthis, incluindo a capital, Sana.

As forças da coligação reivindicaram na segunda-feira à noite ganhos territoriais em zonas estratégicas do litoral do mar Vermelho perdidos em setembro para os huthis.

A coligação liderada pela Arábia Saudita afirmou que estava a prestar um “apoio aéreo 24 horas por dia às forças armadas iemenitas no terreno”.

Os huthis denunciaram 60 ataques aéreos sauditas em 24 horas.

Em resposta, afirmaram que atacaram o aeroporto de Riade com drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.

Visaram também uma refinaria da Aramco em Rabigh, instalações militares e dois aeroportos no sul do país, disse o porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree.

A Arábia Saudita confirmou hoje os ataques dos huthis contra os aeroportos em Jizan e Najran, que causaram três feridos ligeiros e danos materiais.

Os combatentes huthis alertaram as companhias aéreas de que o espaço aéreo sobre a Arábia Saudita “não é seguro”, com exceção das cidades santas de Medina e Meca, que sustentam nunca ter tido como alvo.

As hostilidades entre as forças governamentais e os huthis, no poder numa grande parte do Iémen há uma década, reataram em julho após anos de acalmia, abrindo uma nova frente na guerra no Médio Oriente.

Após ofensiva relâmpago em setembro, os huthis tomaram o controlo de todo o litoral oeste do Iémen, que confina com o mar Vermelho.

Desde então, visam regularmente as instalações petrolíferas e militares do reino vizinho.

A Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas pediram apoio internacional, nomeadamente aos Estados Unidos, sem sucesso até ao momento.

Após uma reunião em Riade, a Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita concordaram em passar “imediatamente à aplicação prática do acordo de defesa mútua” que assinaram em agosto em Meca.

Decidiram “tomar as medidas necessárias para fornecer as forças e meios militares acordados, e implantá-los rapidamente no reino”, de acordo com um comunicado conjunto dos três países.

Esta é a primeira vez que é acionado o acordo, que associa o segundo maior exército da NATO (Turquia), a principal potência do golfo Pérsico (Arábia Saudita e a única potência nuclear do mundo muçulmano (Paquistão).

A coligação dirigida pela Arábia Saudita no Iémen anunciou na segunda-feira à noite ter atingido alvos militares em Al-Hodeida, grande porto do mar Vermelho sob controlo dos huthis.

Os huthis reforçaram em setembro o controlo sobre o estreito de Bab el-Mandeb, na região.

A importância estratégica de Bab el-Mandeb aumentou com o bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, do outro lado da península Arábica, após o início da guerra no Médio Oriente em fevereiro.

As forças governamentais reivindicaram na segunda-feira à noite ter “repelido os huthis da zona de Bab el-Mandeb, do aeroporto de Dhubab, do campo de al-Omari e da cidade de Mokha”.

Fontes militares abstiveram-se, contudo, de confirmar oficialmente a retomada de Mokha.

A coligação declarou igualmente “assegurar a proteção aérea do estreito de Bab el-Mandeb”, essencial para o transporte de hidrocarbonetos.

PNG // APN

Lusa/Fim